Inspirado no documentário Small Wonders (1995), o longa Música do Coração (Musico f the Heart, EUA, 1999) conta a emocionante história real de Roberta Guaspari (Meryl Streep, que conseguiu sua 12ª indicação ao Oscar), uma violonista e mãe de dois filhos que, após ser abandonada pelo marido, se torna professora em uma escola no East Side Harlem, bairro da periferia dos EUA.

Dirigido por Wes Craven (mais conhecido pela série de terror Pânico), dirigiu Música do Coração com competência, onde Streep, sempre intocável, dá vida a uma mulher cuja principal esperança e prazer na vida era a música.


Feito para emocionar, o filme acompanha Guaspari enfrentando as dificuldades de ensinar alunos de baixa renda na escola comandada pela diretora Janet Williams (Angela Basset, correta no papel). Entre problemas pessoais dos pequenos estudantes, ela ainda tem de enfrentar a desconfiança da mãe de um dos alunos e o invejoso coordenador de música do colégio, Dennis Rausch (interpretado por Josh Pais).

Feito para emocionar e com altas doses de açúcar, Música do Coração traz, ainda, Brian Turner (Aidan Quiinn) como um dos romances que surgem na vida da personagem e a preocupada mãe, Assunta (em ótima performance de Cloris Leachman, vencedora do Oscar em 1972 por seu papel em A Última Sessão de Cinema). A cantora Gloria Estefan também faz uma ponta, como uma das professoras que apoiam a iniciativa de Guaspari em ensinar música aos jovens.


A história de um professor que enfrenta dificuldades ao ensinar a alunos marginalizados não é nova, mas sempre funciona. Tratando com leveza o problema – e mostrando somente a ponta do iceberg – Craven e Streep fazem um trabalho que não decepciona, embora resvale em alguns clichês do gênero.

Porém, a história vai ganhando força a partir do momento que Guaspari vai superando os conflitos com os filhos e vê seu trabalho crescer nos dez anos que se seguem na escola, que lhe fazem superar a traumática separação do marido.


Entregando-se com dedicação à sua grande paixão, Guaspari lutou para passar adiante a arte do violino, esforçando-se para conseguir verbas e dar uma nova perspectiva a alunos que poderiam ser vítimas do crime e das drogas. Com um epílogo emocionante, Música do Coração entrega a história real de uma professora que, mais do que salvar seus alunos, salvou a si mesma.

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Perdoem-me os leitores, mas é impossível falar de Contracorrente (Contracorriente, Peru/Colômbia/França/Alemanha, 2009) sem entregar a grande surpresa do longa do diretor Javier Fuentes-León, debutando em longa-metragem.

Grande vencedor do Prêmio do Público no Festival de Sundance 2010, Contracorrente retrata a história de Miguel (Cristian Mercado), um pescador de uma vila costeira peruana que mantém um caso com um fotógrafo e pintor do local, Santiago (Manolo Cardona). Casado e com a esposa Mariela (Tatiana Astengo) prestes a dar à luz, a vida de Miguel vira pelo avesso quando, após o afogamento de Santiago, ele é o único capaz de enxergar o amante morto.


A premissa, claro, remete à clássica estória de Jorge Amado, Dona Flor e Seus Dois Maridos, porém com uma dose menor de humor, mais leve que convém ao filme. Enxergando Santiago, Miguel pode, finalmente, viver esse romance proibido, condenado pela comunidade conservadora e religiosa da vila litorânea.

Para que Santiago vá embora, Miguel precisa encontrar o corpo desaparecido e cumprir os rituais religiosos, conforme manda a tradição. Nesse dilema de não aceitação de sua homossexualidade, ele entrará em conflitos com todos, especialmente com a doce esposa, Mariela.


A grande crítica de Contracorrente é mostrar que o amor de Santiago e Miguel só pôde se concretizar na morte. Só quando ninguém além de Miguel podia enxergá-lo é que esse romance pôde ser vivido.

Com belas locações litorâneas e personagens simples, presos em suas crenças religiosas, o roteiro do longa colabora para prender a atenção do público, com ritmo e, mesmo quase resvalando no drama fácil, se sobressai em sua delicadeza e sinceridade para lidar com tema, mesmo se entregando ao realismo fantástico.


Sem pressa em seu epílogo, emociona ao tratar das escolhas envolvidas que atormentam Miguel, como família e as regras morais do conservadorismo e da religião. E diante das escolhas a serem tomadas, as chances de acarretar consequências são, inevitavelmente e praticamente, certas.

 

A curta, porém expressiva filmografia do diretor francês Christophe Honoré, que inclui filmes como Em Paris (2006), Canções de Amor (2007), A Bela Junie (2008) e Não, Minha Filha, Você Não Irá Dançar (2009), recebe Homme Au Bain (idem, França, 2010), um dos mais recentes filmes do cineasta.

Comparando com o diretor norte-americano John Cameron Mitchell, que ousou em seus primeiros filmes, tratando de sexo – e homossexualidade – abertamente até desencadear no drama Reencontrando a Felicidade, que mostra as dificuldades de um casal em superar a morte do filho, Honoré deixou de lado o formato mais convencional e decolou na temática sexual com afinco.


Em Homme Au Bain, acompanhamos a curta separação de um casal em crise, Omar (Omar Ben Sellem) e Emmanuel (o astro do pornô gay François Sagat). Quando Omar decide viajar para os EUA, Emmanuel se embrenha em um universo de sexo e, ao mesmo tempo, solidão, que permeia todo o filme.

Emmanuel, que exibe seu corpo torneado durante quase todo o filme, sente-se desprezado e busca todo o tempo resgatar o desejo que provoca nos homens e nas mulheres. Então, dentro do apartamento de Omar, ele vai se envolver com os mais diversos personagens para suprir sua carência de sexo e amor, desde sexo a três até a chegada de uma bela atriz (Chiara Mastroianni, filha dos lendários atores Marcello Mastroianni e Catherine Deneuve).


Entre os jogos sexuais praticados por Emmanuel, o personagem, por meio de flashes, revisita os momentos com Omar, inclusive representando com outros amantes os momentos passados com ele. E nessa retrospectiva não linear do romance dos dois, as divagações vão tomando forma através de movimentos bruscos de câmera na mão, planos experimentais e tentativa de preencher, através do sexo, o vazio que lhe atormenta.

Ao mesmo tempo vamos acompanhando, também, o envolvimento de Omar com um jovem em Nova York, na qual Honoré, sem julgamentos, trata do sexo livre em um filme com chances de se tornar cult entre os jovens da atualidade, que podem se identificar com a temática como-somos-ou-não-somos-desejados.

Com realistas cenas de sexo – incluindo uma de sexo oral explícito – Homme Au Bain traz personagens por ora desequilibrados, transitando entre o delicado e o lascivo, o ódio e o amor, em que a sexualidade (e não necessariamente sensualidade) é constante, mostrando que somos tomados, a todo o tempo, por nossos desejos; sejam eles carnais ou sentimentais.

 

Com uma diversificada carreira como ator, diretor e produtor, Clint Eastwood já percorreu os mais diversos gêneros com competência: o faroeste (Os Imperdoáveis), o romance (As Pontes de Madison), o suspense (Meia-noite no Jardim do Bem e do Mal), a política (Poder Absoluto)e o drama (Menina de Ouro), só para citar alguns.

Porém, desta vez, Eastwood quis enveredar por outro caminho: a espiritualidade. O resultado, a meu ver, não supriu as expectativas. Para um tema polêmico e controverso, em Além da Vida (Hereafter, EUA, 2010) o cineasta fugiu de certas discussões, como a religião e a fé. Ateve-se a mostrar três personagens envoltos em experiências com a morte: perder um ente querido, comunicar-se com os mortos e estar na tênue linha que a separa da vida.


Com um prólogo impressionante, Além da Vida nos coloca dentro de um violento tsunami que atinge uma turista francesa em férias. Após essa experiência de quase-morte (EQM), a apresentadora de TV Marie (Cécile De France) começa a se questionar sobre o que viu e sentiu após quase morrer durante a viagem. Nesse ínterim, acompanhamos a rotina do médium norte-americano George (Matt Damon) que, renomeado e bem sucedido em sua capacidade de comunicar-se com os mortos, decidiu abandonar a carreira e viver um vida “normal”. Longe dali, em Londres, seguimos a vida da família de Marcus (George McLaren) que terá de lidar com a morte enquanto separa-se da mãe (Lyndsey Marshal), uma viciada em heroína que pode perder a guarda do filho.

Com um ritmo lento que pode cansar certas pessoas, Além da Vida é uma obra menor de Eastwood, sem dúvidas, mas tem seus méritos. Apresentando cada personagem em seus dilemas e conflitos, temos Marie tentando superar e entender seu trauma após o tsunami, o pequeno Marcus tentando lidar com a morte e a solidão e George, fugindo de seu dom (ou “maldição”, como alega o personagem) para levar uma vida “normal”.


O roteiro (escrito por Peter Morgan, de Frost/Nixon,  A Rainha e  O Último Rei da Escócia) traz certas falhas, como a personagem de Bryce Dallas Howard, que não é concluída ou o epílogo que deixa a desejar mas, mesmo assim, pode atrair os fãs do gênero, tão explorado no Brasil por conta do centenário de nascimento do médium Chico Xavier, completado em 2010 e que ofereceu ao público um leque de filmes sobre espiritualidade.

Tratando de como o ser humano lida com a morte, Eastwood traz esse desconforto e dificuldade na qual, além das pendências a serem resolvidas, mostra como segue a vida dos que ficam. Da incredulidade ao charlatanismo, da superação (ou não) à compreensão (ou não) da questão da vida pós-morte, o diretor oferece o lado mais íntimo dos personagens, focando na natureza do ser humano, único animal que já nasce sabendo que vai morrer.


Eastwood, que está em produção com o filme que vai contar a história de J. Edgar Hoover, o polêmico homem que dirigiu o FBI por quase cinco décadas, ainda é um cineasta de atores, que se dedica a construir seus personagens. Aqui o resultado fica abaixo da média, com uma demora para chegarmos, finalmente, ao esperado encontro dos três, onde a coisa deveria degringolar mas, quando se encontram, culmina de forma insatisfatória, ou seja, fria e deveras distante.

Uma história de amor impossível, um galã de Hollywood, uma princesinha dos amantes do Cinema, um vilão cheio de sangue-frio e um circo como pano de fundo:  assim é Água para Elefantes (Water for Elephants, EUA, 2011), longa baseado no romance de Sara Gruen e dirigido por Francis Lawrence (A Lenda, Constantine).

Em flashback, acompanhamos a história de Jacob Jankowski (Hal Holbrook) um idoso que, ao pedir emprego em um circo, relembra uma grande história de amor vivida nos anos 30. Após perder os pais em um acidente de carro, o jovem polonês Jankowski (Robert Pattinson) decide perambular até a cidade em busca de emprego. É quando se depara com um circo itinerante, o Benzini Brothers, comandado pelo severo August (Christopher Waltz, vencedor do Oscar de Coadjuvante por seu papel em Bastardos Inglórios).


Casado com a bela Marlena (Resse Whiterspoon), estrela do seu circo nos números com animais, August vai usar de todo seu poder para não perder sua estrela para Jankowski, quando descobre que eles estão apaixonados.

Água para Elefantes
não inova em questão de roteiro, trazendo a clássica história do homem que abriga um jovem, dá seu voto de confiança e sente-se traído quando ele e a esposa se apaixonam. Porém, curiosa é a forma como Lawrence trabalha o desenrolar da história, desde a aproximação dos amantes com a chegada da elefanta Rosie, nova estrela dos espetáculos com Marlena após a morte do cavalo Silver até a sufocante situação que se desenrola após o romance vir à tona.


Com uma fotografia que tira o máximo da beleza da magia do circo em suas luzes e sombras, o filme mostra os bastidores e conflitos desta família nada tradicional, que viaja de trem em acomodações nada confortáveis (a cena de plano sequência, que mostra os corredores dos vagões com os circenses, é marcante).

A trilha, emocionante, aliada aos belos planos de câmera fazem do circo não só cenário da trama mas, também, grande personagem. Trazendo poesia e saudosismo ao filme, a bela direção de arte revive os anos 30 nos EUA que, mesmo atingido pela Crise de 1929, mantinha seu charme e glamour.


Reese, vencedora do Oscar de Melhor Atriz por Johnny e June, cumpre seu papel, com simpatia e competência, embora não tenha a química necessária com o ainda inexperiente Pattinson que, em seu primeiro papel de destaque depois da saga Crepúsculo, não compromete o filme, embora não seja, nem de longe, o grande trunfo dele. Um ator de maior calibre faria mais por um personagem de personalidade forte e ousada.

Mas, a experiência falou mais alto e Água para Elefantes tem, sem sombras de dúvidas, sua grande estrela em Waltz, que cria um personagem que mistura medo, egocentrismo, descontrole, sede de poder, ironia e que, mesmo quase caindo na caricatura, consegue criar as mais diversas sensações na plateia em um filme que mistura ação, suspense e romance. Não é um filme obrigatório, mas vale a pena ser conferido, especialmente aos fãs da grande arte circense e de uma boa história de amor.

Alguns atores sofrem com certo ostracismo, mesmo tendo um talento fora do comum. Eu, por exemplo, ainda me decepciono quando algumas pessoas me dizem que não conhecem o ator Paul Giamatti. Não lembram do seu nome, mas certamente já viram seu jeito barrigudo, careca e fora do padrão de beleza hollywoodiano. Ao lembrar dele, outro nome me vem à mente: Phillip Seymour Hoffman, que, após tantos papéis maravilhosos, levou seu merecido Oscar para casa ao interpretar o escritor Truman Capote em Capote (2005).

Em A Minha Versão do Amor (Barney`s Version, Canadá/Itália, 2010), o experiente diretor de episódios de séries de TV Richard J. Lewis, de CSI Family Law, levou para as telas o romance do canadense e cujo filme é dedicado e adaptado por Michael Konyves. No papel principal, está Giamatti, um feliz encontro entre criador e criatura.


Acompanhamos a vida de Barney Panofsky (Paul Giamatti), um judeu sexagenário entregue aos charutos e ao álcool. Desesperançado da vida que leva, produz uma série de TV sem sucesso. A única pessoa que lhe resta é a filha Kate (Anna Hopkins) e um detetive (Mark Addy), que o acusa há décadas de um assassinato. A partir dessa melancólica vida, voltamos aos anos 70, quando sua vida era regada a bebidas, drogas e belas mulheres. Acompanhado pelos amigos Leo (Thomas Trabacchi), Cedric (Clé Bennett) e do inseparável Boogie (Scott Speedman), Barney recorda as três mulheres importantes que passaram por sua vida.

A primeira delas é a inconsequente Clara “Chambers” Charnofsky (Rachelle Lefevre), uma hippie que sofre de distúrbios psicológicos e oferece uma surpresa nada agradável ao marido logo após o repentino casamento na Itália. Recuperando-se da desilusão com Clara, Barney encontra a rica, espevitada e igualmente judia segunda esposa (interpretada por Minnie Driver) e cujo nome nunca é mencionado no filme, sendo chamada sempre pelo nome de segunda sra. P. (Panofsky). Porém, na festa de casamento, Barney conhece a adorável Miriam Grant (Rosamund Pike), pela qual se apaixona perdidamente à primeira vista. Após os conflitos com a insuportável sra. P., Barney fará de tudo para conquistar Miriam, que a considera “a mulher de sua vida”.


Entre as mulheres que surgem no caminho de Barney, dois homens marcam sua vida: o amigo Boogie, um mulherengo inveterado que se entrega aos vícios com a mesma facilidade com que massageia seu ego; e Izzy Panofsky (Dustin Hoffman, em um de seus papéis mais saborosos), seu pai, um ex-policial sem papas na língua que traz uma personalidade sensível debaixo de sua casca bonachona. E é aí que se firma o grande duelo de interpretações de A Minha Versão do Amor: Hoffman e Giamatti, em momentos que arrancam risos escancarados para, dois minutos depois, serem capazes de marejar os olhos da plateia.

Dos diálogos rápidos e precisos, baseados em um bom roteiro e uma direção segura, acompanhamos a saga de Barney, este homem preso em sua própria inexperiência de vida aliada a situações banais capazes de desencadear consequências imprevisíveis e, muitas vezes, incorrigíveis.


Melancólico e engraçado, A Minha Versão do Amor remete, em alguns momentos, às comédias dramáticas de Woody Allen nos anos 80, com um personagem perdido diante de seus próprios atos e sentimentos. Afinal, Barney não é mau, um anti-herói e, muito menos, um mocinho: é um ser humano de carne e osso, com o qual nos identificamos. E, diante da saga deste homem, desde as cores opacas do presente às vibrantes tonalidades da “época de ouro” de sua história, Barney sabe que há um preço a ser pago.

Não há como fugir: a idade chega, os amigos se vão, as lembranças nos assombram ou nos acalentam, a perda de memória nos assusta, a solidão nos amedronta e os arrependimentos são inevitáveis. Afinal, a vida pode ser maravilhosa; o difícil é lidar com as migalhas dela que são deixadas pelo caminho com o passar do tempo.

Reciclar clichês no cinema nem sempre é algo que traz sucesso e qualidade. As apostas são sempre arriscadas e, com um tema tão retratado e batido como o amor, os filmes de romance são, acredito eu, os que mais sofrem deste problema. Deu certo com Diário de uma Paixão (o amor que resistiu ao tempo), As Pontes de Madison (o romance impossível), O Amor Não Tira Férias (desilusão e fuga que resultam em uma nova chance), PS: Eu Te Amo (separados pela morte) ou A Proposta (personagens que descobrem que amor e ódio caminham lado a lado). São inúmeros os exemplos e, para alegria dos fãs do gênero, um novo membro surge nesta nova safra de filmes de amor que farão sonhar as moças (e moços, por que não?) mais românticos.


Em 1996, acompanhamos a vida de Jamie Randall (Jake Gyllenhaal), um jovem charmoso, extrovertido e extremamente bem-sucedido quando se trata de mulheres. Conquistador inveterado, personifica o tipo de homem que muitos adoram, as mulheres amam e os homens odeiam (ou invejam). Com o dom de conseguir levar para a cama qualquer mulher que cruze seu caminho e lhe faça atiçar a testosterona, Jamie possui um histórico sexual incalculável.

Após ser demitido de um emprego em uma loja, ele se embrenha na indústria farmacêutica e se torna representante da Pfizer, famosa empresa do ramo. Em princípio, precisa enfrentar o concorrente anti-depressivo Prozac em favor de seu produto, o Zoloft. Para isso, bate de frente com Terry Hannigan (Gabriel Macht), grande fornecedor de amostras ao doutor Stan Knight (Hank Azaria), médico da bela Maggie Murdock (Anne Hathaway), uma jovem de 26 anos que sofre de um estágio inicial do mal de Parkinson, doença degenerativa que afeta a coordenação motora.


Quando conhece Maggie, Jamie vê a moça como o mais novo alvo de suas conquistas. Ela, ciente de sua doença e levando a vida o menos sério possível, quer apenas sexo e diversão.  Essa espécie de versão feminina de si mesmo poderá mudar Jamie para sempre, em que ambos vão descobrir que, quanto mais se foge do amor, mais ele pode lhe perseguir.

Baseado no livro Hard Sell: The Evolution of a Viagra Salesman, de Jamie Reidy, Amor e Outras Drogas conta com direção, produção e co-adaptação do roteiro de Edward Zwick (Lendas da PaixãoO Último SamuraiDiamante de Sangue) e acompanha a descoberta do Viagra, a grande revolução sexual que deu a homens e mulheres a chance de redescobrir o prazer sexual, independente da idade. Entre tardes regadas a sexo sem compromisso, Jamie e Maggie vão se envolvendo cada vez mais, trocando intimidades na qual revelam seus medos e experiências. É a porta de entrada para que o tal sentimento de quatro letras entre sem ser convidado.

Jamie, que divide o teto com o irmão mais novo, o inconveniente Josh (Josh Gad), conseguirá seu trunfo como representante do Viagra, cuja propaganda lhe cai como uma luva. Afinal, quem melhor para vender a droga do sexo do que alguém que mais entende do assunto? Nesse meio tempo, a relação dele com Maggie vai se aprofundando cada vez mais e o sentimento que um sente pelo outro passa pela maior das provas: a doença dela.


Em Amor e Outras Drogas, Anne e Gyllenhaal estão tão à vontade em seus papéis que é impossível não se encantar. No auge da beleza e sucesso, a dupla – que já havia sido par romântico no premiado O Segredo de Brokeback Mountain – volta, cinco anos depois, em uma trama mais descontraída, mas que não deixa a peteca cair quando se trata de arrancar lágrimas da plateia. Do charme e carisma de Gyllenhaal à beleza natural e adorável de Anne (indicados ao Globo de Ouro por seus papéis), é interessante acompanhar como estes jogos de amor e sexo são expostos e que, mesmo cientes dos riscos, se permitem não resistir e se entregam.

Com ritmo e um bom roteiro – que não busca fazer necessariamente rir, mas, sim, criar empatia com seu público – Amor e Outras Drogas mostra a dupla com uma sensualidade latente e à vontade nas cenas mais íntimas, incluindo nu e cenas de sexo convincentes. A trilha sonora, recheada de hits dos anos 90, traz nomes como Spin Doctors, Fatboy Slim e até a clássica Macarena (quem não se lembra dela?), passando por Berlinda Carlisle, famosa em carreira solo no final dos anos 80 até desembocar na contemporânea Regina Spektor.

Com uma dupla que traz veracidade e se mostra confortável nos seus papéis, acompanhamos um casal real, com problemas reais e que age como um casal da vida real. Sem ser um romance açucarado demais, vai falar diretamente com o público que já passou pelo sexo casual que pode vir a se tornar – ou se tornou – um namoro. Porém, como uma pílula capaz de curar alguma dor ou doença, o amor também é uma droga e provoca efeitos colaterais. E todos precisamos dele para nos sentirmos bem, por mais que sua dose tenha um gosto amargo em alguns momentos.