Diretor veterano, aos 73 anos o francês Claude Lelouch traz seu modo costumeiro de filmar histórias em seu mais novo longa, Esses Amores (Ces Amours-là,  França, 2010). Com roteiros que abrangem diversos países e continentes, personagens passionais e o contexto histórico de cada época agindo como fator de extrema influência, ele retoma de forma eficiente o sucesso de outros exemplos do gênero presentes em sua filmografia.


Da questão de personagens que passam pelas mazelas da guerra e as cicatrizes deixadas em Retratos da Vida, de 1981, Lelouch bebeu da própria fonte também de Toda Uma Vida, filme de 1974 que retrata diversos universos ao redor do mundo durante um século de histórias de vida. E, como não poderia ficar de fora de seu filme mais conhecido – e premiado – Um Homem, Uma Mulher (1966), que recebeu o Oscar de Roteiro Original e Palma de Ouro em Cannes, o cineasta explora o amor.

Nessa miscelânea, Esses Amores explora, durante duas horas, os amores vividos pela personagem Ilva (Audrey Dana). Do envolvimento com um universitário (o cantor e ator Raphaël), passando pelo conturbado romance com um oficial nazista (Samuel Labarthe) até ousar ainda mais e se envolver com dois soldados americanos (Jacky Ido e Gilles Lemaire) em um trágico triângulo amoroso.


O projeto, que era um sonho antigo de Lelouch e foi escrito a quatro mãos pelo diretor e por Pierre Uytterhoeven, deixa o público espantado e curioso quando afirma que quaisquer semelhanças do filme com a realidade não serão mera coincidência. A personagem de Ilva, “a mulher que se apaixona rápido porque coloca o amor acima de tudo”, permeia todo o longa, em uma oportunidade que Lelouch tem de declarar seu amor à música, ao cinema e, claro, ao amor.

Com um prólogo que vai agradar aos fãs do cinema mudo, a sétima arte vai estar presente em todo o envolvimento dos personagens, interligados pelos três elementos principais. Da trilha imponente feita para emocionar (com sucesso), Esses Amores vai costurando a história de cada um de seus inúmeros personagens que desembocam em Ilva durante quase setenta anos.

Falado em francês, alemão, italiano e inglês, Lelouch reafirma a linguagem universal do amor, que agrada aos mais românticos, embora resvale em certos clichês não prejudiciais no resultado final. O resultado, curioso e tocante, explora todas as vertentes desse sentimento, desmembrando-o em separação pela guerra, solidão, loucura, felicidade, perdas e ganhos, traições, lembranças e destino, só para citar alguns.


E das consequências desses amores, Ilva e os demais personagens vão amadurecendo, sofrendo como quem já sofreu por amor. E, como todo ato traz uma consequência, Ilva passa pelas mais diversas amarguras, resultado de uma vida longa e de uma mulher cuja personalidade não se encaixa com o conservadorismo das épocas em que viveu.

Bem dirigido, com uma bela fotografia e atores corretos em seus papéis, Esses Amores não é um dos melhores filmes de Lelouch, mas encanta por trazer, ainda, participações especiais da diva Anouk Aimée (de Um Homem, Uma Mulher) e da quase centenária Gisèle Casadesus (de Minhas Tardes com Margueritte, em cartaz nos cinemas), que emociona no espetacular epílogo, onde música, cinema e amor atingem seu ápice.

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