É curioso observar a ousadia de Nous Étions Un Seul Homme (Nós Éramos Um Só Homem, em tradução literal), filme francês de 1979 dirigido por Philippe Vallois. Numa pequena vila rural durante o final da Segunda Guerra, o camponês Guy Rouveron (Serge Avedikian) resgata Rolf (Piotr Stanislas), um soldado alemão ferido nas proximidades de sua casa.

Aos hospedar o militar, a relação dos dois vai se transformando em uma mistura de amizade, ódio e tensão sexual. Infantilizado e, ao mesmo tempo, sexual, Guy vai se tornando um objeto de desejo de Rolf, que camufla seus sentimentos pelo jovem, cada vez mais perturbado mentalmente.

Com produção limitada, que lembra as obras neo-realistas do cinema italiano, Nous Étions Un Seul Homme traz semelhanças, ainda, com as obras carregadas de teor sexual de Pasolini, com um humor carregado de qüiproquós, com ritmo rápido e aspecto teatral.


O interessante é observar a relação da dupla, que inclui a bela Jenine (Catherine Albin), que mantém um caso às escondidas com Guy, provocando ainda mais o ciúmes em Rolf.

Sem muitas ações acontecendo no dia a dia dos dois em meio à paisagem rural, o filme foca na tensão homoerótica que transborda na tela, com direito a nu frontal masculino (uma ousadia para a época) e cenas convincentes de sexo.


Misturando surrealismo , viagem pelo inconsciente, distúrbios mentais e obsessão, o filme incomoda ao mostrar dois personagens impossibilitados  de viver juntos e incapazes de se separar. E o resultado final, como haveria de ser, não é nenhum mar de rosas.

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