A curta, porém expressiva filmografia do diretor francês Christophe Honoré, que inclui filmes como Em Paris (2006), Canções de Amor (2007), A Bela Junie (2008) e Não, Minha Filha, Você Não Irá Dançar (2009), recebe Homme Au Bain (idem, França, 2010), um dos mais recentes filmes do cineasta.

Comparando com o diretor norte-americano John Cameron Mitchell, que ousou em seus primeiros filmes, tratando de sexo – e homossexualidade – abertamente até desencadear no drama Reencontrando a Felicidade, que mostra as dificuldades de um casal em superar a morte do filho, Honoré deixou de lado o formato mais convencional e decolou na temática sexual com afinco.


Em Homme Au Bain, acompanhamos a curta separação de um casal em crise, Omar (Omar Ben Sellem) e Emmanuel (o astro do pornô gay François Sagat). Quando Omar decide viajar para os EUA, Emmanuel se embrenha em um universo de sexo e, ao mesmo tempo, solidão, que permeia todo o filme.

Emmanuel, que exibe seu corpo torneado durante quase todo o filme, sente-se desprezado e busca todo o tempo resgatar o desejo que provoca nos homens e nas mulheres. Então, dentro do apartamento de Omar, ele vai se envolver com os mais diversos personagens para suprir sua carência de sexo e amor, desde sexo a três até a chegada de uma bela atriz (Chiara Mastroianni, filha dos lendários atores Marcello Mastroianni e Catherine Deneuve).


Entre os jogos sexuais praticados por Emmanuel, o personagem, por meio de flashes, revisita os momentos com Omar, inclusive representando com outros amantes os momentos passados com ele. E nessa retrospectiva não linear do romance dos dois, as divagações vão tomando forma através de movimentos bruscos de câmera na mão, planos experimentais e tentativa de preencher, através do sexo, o vazio que lhe atormenta.

Ao mesmo tempo vamos acompanhando, também, o envolvimento de Omar com um jovem em Nova York, na qual Honoré, sem julgamentos, trata do sexo livre em um filme com chances de se tornar cult entre os jovens da atualidade, que podem se identificar com a temática como-somos-ou-não-somos-desejados.

Com realistas cenas de sexo – incluindo uma de sexo oral explícito – Homme Au Bain traz personagens por ora desequilibrados, transitando entre o delicado e o lascivo, o ódio e o amor, em que a sexualidade (e não necessariamente sensualidade) é constante, mostrando que somos tomados, a todo o tempo, por nossos desejos; sejam eles carnais ou sentimentais.

 

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