Uma história de amor impossível, um galã de Hollywood, uma princesinha dos amantes do Cinema, um vilão cheio de sangue-frio e um circo como pano de fundo:  assim é Água para Elefantes (Water for Elephants, EUA, 2011), longa baseado no romance de Sara Gruen e dirigido por Francis Lawrence (A Lenda, Constantine).

Em flashback, acompanhamos a história de Jacob Jankowski (Hal Holbrook) um idoso que, ao pedir emprego em um circo, relembra uma grande história de amor vivida nos anos 30. Após perder os pais em um acidente de carro, o jovem polonês Jankowski (Robert Pattinson) decide perambular até a cidade em busca de emprego. É quando se depara com um circo itinerante, o Benzini Brothers, comandado pelo severo August (Christopher Waltz, vencedor do Oscar de Coadjuvante por seu papel em Bastardos Inglórios).


Casado com a bela Marlena (Resse Whiterspoon), estrela do seu circo nos números com animais, August vai usar de todo seu poder para não perder sua estrela para Jankowski, quando descobre que eles estão apaixonados.

Água para Elefantes
não inova em questão de roteiro, trazendo a clássica história do homem que abriga um jovem, dá seu voto de confiança e sente-se traído quando ele e a esposa se apaixonam. Porém, curiosa é a forma como Lawrence trabalha o desenrolar da história, desde a aproximação dos amantes com a chegada da elefanta Rosie, nova estrela dos espetáculos com Marlena após a morte do cavalo Silver até a sufocante situação que se desenrola após o romance vir à tona.


Com uma fotografia que tira o máximo da beleza da magia do circo em suas luzes e sombras, o filme mostra os bastidores e conflitos desta família nada tradicional, que viaja de trem em acomodações nada confortáveis (a cena de plano sequência, que mostra os corredores dos vagões com os circenses, é marcante).

A trilha, emocionante, aliada aos belos planos de câmera fazem do circo não só cenário da trama mas, também, grande personagem. Trazendo poesia e saudosismo ao filme, a bela direção de arte revive os anos 30 nos EUA que, mesmo atingido pela Crise de 1929, mantinha seu charme e glamour.


Reese, vencedora do Oscar de Melhor Atriz por Johnny e June, cumpre seu papel, com simpatia e competência, embora não tenha a química necessária com o ainda inexperiente Pattinson que, em seu primeiro papel de destaque depois da saga Crepúsculo, não compromete o filme, embora não seja, nem de longe, o grande trunfo dele. Um ator de maior calibre faria mais por um personagem de personalidade forte e ousada.

Mas, a experiência falou mais alto e Água para Elefantes tem, sem sombras de dúvidas, sua grande estrela em Waltz, que cria um personagem que mistura medo, egocentrismo, descontrole, sede de poder, ironia e que, mesmo quase caindo na caricatura, consegue criar as mais diversas sensações na plateia em um filme que mistura ação, suspense e romance. Não é um filme obrigatório, mas vale a pena ser conferido, especialmente aos fãs da grande arte circense e de uma boa história de amor.

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