maio 2011


Com uma diversificada carreira como ator, diretor e produtor, Clint Eastwood já percorreu os mais diversos gêneros com competência: o faroeste (Os Imperdoáveis), o romance (As Pontes de Madison), o suspense (Meia-noite no Jardim do Bem e do Mal), a política (Poder Absoluto)e o drama (Menina de Ouro), só para citar alguns.

Porém, desta vez, Eastwood quis enveredar por outro caminho: a espiritualidade. O resultado, a meu ver, não supriu as expectativas. Para um tema polêmico e controverso, em Além da Vida (Hereafter, EUA, 2010) o cineasta fugiu de certas discussões, como a religião e a fé. Ateve-se a mostrar três personagens envoltos em experiências com a morte: perder um ente querido, comunicar-se com os mortos e estar na tênue linha que a separa da vida.


Com um prólogo impressionante, Além da Vida nos coloca dentro de um violento tsunami que atinge uma turista francesa em férias. Após essa experiência de quase-morte (EQM), a apresentadora de TV Marie (Cécile De France) começa a se questionar sobre o que viu e sentiu após quase morrer durante a viagem. Nesse ínterim, acompanhamos a rotina do médium norte-americano George (Matt Damon) que, renomeado e bem sucedido em sua capacidade de comunicar-se com os mortos, decidiu abandonar a carreira e viver um vida “normal”. Longe dali, em Londres, seguimos a vida da família de Marcus (George McLaren) que terá de lidar com a morte enquanto separa-se da mãe (Lyndsey Marshal), uma viciada em heroína que pode perder a guarda do filho.

Com um ritmo lento que pode cansar certas pessoas, Além da Vida é uma obra menor de Eastwood, sem dúvidas, mas tem seus méritos. Apresentando cada personagem em seus dilemas e conflitos, temos Marie tentando superar e entender seu trauma após o tsunami, o pequeno Marcus tentando lidar com a morte e a solidão e George, fugindo de seu dom (ou “maldição”, como alega o personagem) para levar uma vida “normal”.


O roteiro (escrito por Peter Morgan, de Frost/Nixon,  A Rainha e  O Último Rei da Escócia) traz certas falhas, como a personagem de Bryce Dallas Howard, que não é concluída ou o epílogo que deixa a desejar mas, mesmo assim, pode atrair os fãs do gênero, tão explorado no Brasil por conta do centenário de nascimento do médium Chico Xavier, completado em 2010 e que ofereceu ao público um leque de filmes sobre espiritualidade.

Tratando de como o ser humano lida com a morte, Eastwood traz esse desconforto e dificuldade na qual, além das pendências a serem resolvidas, mostra como segue a vida dos que ficam. Da incredulidade ao charlatanismo, da superação (ou não) à compreensão (ou não) da questão da vida pós-morte, o diretor oferece o lado mais íntimo dos personagens, focando na natureza do ser humano, único animal que já nasce sabendo que vai morrer.


Eastwood, que está em produção com o filme que vai contar a história de J. Edgar Hoover, o polêmico homem que dirigiu o FBI por quase cinco décadas, ainda é um cineasta de atores, que se dedica a construir seus personagens. Aqui o resultado fica abaixo da média, com uma demora para chegarmos, finalmente, ao esperado encontro dos três, onde a coisa deveria degringolar mas, quando se encontram, culmina de forma insatisfatória, ou seja, fria e deveras distante.

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Uma história de amor impossível, um galã de Hollywood, uma princesinha dos amantes do Cinema, um vilão cheio de sangue-frio e um circo como pano de fundo:  assim é Água para Elefantes (Water for Elephants, EUA, 2011), longa baseado no romance de Sara Gruen e dirigido por Francis Lawrence (A Lenda, Constantine).

Em flashback, acompanhamos a história de Jacob Jankowski (Hal Holbrook) um idoso que, ao pedir emprego em um circo, relembra uma grande história de amor vivida nos anos 30. Após perder os pais em um acidente de carro, o jovem polonês Jankowski (Robert Pattinson) decide perambular até a cidade em busca de emprego. É quando se depara com um circo itinerante, o Benzini Brothers, comandado pelo severo August (Christopher Waltz, vencedor do Oscar de Coadjuvante por seu papel em Bastardos Inglórios).


Casado com a bela Marlena (Resse Whiterspoon), estrela do seu circo nos números com animais, August vai usar de todo seu poder para não perder sua estrela para Jankowski, quando descobre que eles estão apaixonados.

Água para Elefantes
não inova em questão de roteiro, trazendo a clássica história do homem que abriga um jovem, dá seu voto de confiança e sente-se traído quando ele e a esposa se apaixonam. Porém, curiosa é a forma como Lawrence trabalha o desenrolar da história, desde a aproximação dos amantes com a chegada da elefanta Rosie, nova estrela dos espetáculos com Marlena após a morte do cavalo Silver até a sufocante situação que se desenrola após o romance vir à tona.


Com uma fotografia que tira o máximo da beleza da magia do circo em suas luzes e sombras, o filme mostra os bastidores e conflitos desta família nada tradicional, que viaja de trem em acomodações nada confortáveis (a cena de plano sequência, que mostra os corredores dos vagões com os circenses, é marcante).

A trilha, emocionante, aliada aos belos planos de câmera fazem do circo não só cenário da trama mas, também, grande personagem. Trazendo poesia e saudosismo ao filme, a bela direção de arte revive os anos 30 nos EUA que, mesmo atingido pela Crise de 1929, mantinha seu charme e glamour.


Reese, vencedora do Oscar de Melhor Atriz por Johnny e June, cumpre seu papel, com simpatia e competência, embora não tenha a química necessária com o ainda inexperiente Pattinson que, em seu primeiro papel de destaque depois da saga Crepúsculo, não compromete o filme, embora não seja, nem de longe, o grande trunfo dele. Um ator de maior calibre faria mais por um personagem de personalidade forte e ousada.

Mas, a experiência falou mais alto e Água para Elefantes tem, sem sombras de dúvidas, sua grande estrela em Waltz, que cria um personagem que mistura medo, egocentrismo, descontrole, sede de poder, ironia e que, mesmo quase caindo na caricatura, consegue criar as mais diversas sensações na plateia em um filme que mistura ação, suspense e romance. Não é um filme obrigatório, mas vale a pena ser conferido, especialmente aos fãs da grande arte circense e de uma boa história de amor.

Alguns atores sofrem com certo ostracismo, mesmo tendo um talento fora do comum. Eu, por exemplo, ainda me decepciono quando algumas pessoas me dizem que não conhecem o ator Paul Giamatti. Não lembram do seu nome, mas certamente já viram seu jeito barrigudo, careca e fora do padrão de beleza hollywoodiano. Ao lembrar dele, outro nome me vem à mente: Phillip Seymour Hoffman, que, após tantos papéis maravilhosos, levou seu merecido Oscar para casa ao interpretar o escritor Truman Capote em Capote (2005).

Em A Minha Versão do Amor (Barney`s Version, Canadá/Itália, 2010), o experiente diretor de episódios de séries de TV Richard J. Lewis, de CSI Family Law, levou para as telas o romance do canadense e cujo filme é dedicado e adaptado por Michael Konyves. No papel principal, está Giamatti, um feliz encontro entre criador e criatura.


Acompanhamos a vida de Barney Panofsky (Paul Giamatti), um judeu sexagenário entregue aos charutos e ao álcool. Desesperançado da vida que leva, produz uma série de TV sem sucesso. A única pessoa que lhe resta é a filha Kate (Anna Hopkins) e um detetive (Mark Addy), que o acusa há décadas de um assassinato. A partir dessa melancólica vida, voltamos aos anos 70, quando sua vida era regada a bebidas, drogas e belas mulheres. Acompanhado pelos amigos Leo (Thomas Trabacchi), Cedric (Clé Bennett) e do inseparável Boogie (Scott Speedman), Barney recorda as três mulheres importantes que passaram por sua vida.

A primeira delas é a inconsequente Clara “Chambers” Charnofsky (Rachelle Lefevre), uma hippie que sofre de distúrbios psicológicos e oferece uma surpresa nada agradável ao marido logo após o repentino casamento na Itália. Recuperando-se da desilusão com Clara, Barney encontra a rica, espevitada e igualmente judia segunda esposa (interpretada por Minnie Driver) e cujo nome nunca é mencionado no filme, sendo chamada sempre pelo nome de segunda sra. P. (Panofsky). Porém, na festa de casamento, Barney conhece a adorável Miriam Grant (Rosamund Pike), pela qual se apaixona perdidamente à primeira vista. Após os conflitos com a insuportável sra. P., Barney fará de tudo para conquistar Miriam, que a considera “a mulher de sua vida”.


Entre as mulheres que surgem no caminho de Barney, dois homens marcam sua vida: o amigo Boogie, um mulherengo inveterado que se entrega aos vícios com a mesma facilidade com que massageia seu ego; e Izzy Panofsky (Dustin Hoffman, em um de seus papéis mais saborosos), seu pai, um ex-policial sem papas na língua que traz uma personalidade sensível debaixo de sua casca bonachona. E é aí que se firma o grande duelo de interpretações de A Minha Versão do Amor: Hoffman e Giamatti, em momentos que arrancam risos escancarados para, dois minutos depois, serem capazes de marejar os olhos da plateia.

Dos diálogos rápidos e precisos, baseados em um bom roteiro e uma direção segura, acompanhamos a saga de Barney, este homem preso em sua própria inexperiência de vida aliada a situações banais capazes de desencadear consequências imprevisíveis e, muitas vezes, incorrigíveis.


Melancólico e engraçado, A Minha Versão do Amor remete, em alguns momentos, às comédias dramáticas de Woody Allen nos anos 80, com um personagem perdido diante de seus próprios atos e sentimentos. Afinal, Barney não é mau, um anti-herói e, muito menos, um mocinho: é um ser humano de carne e osso, com o qual nos identificamos. E, diante da saga deste homem, desde as cores opacas do presente às vibrantes tonalidades da “época de ouro” de sua história, Barney sabe que há um preço a ser pago.

Não há como fugir: a idade chega, os amigos se vão, as lembranças nos assombram ou nos acalentam, a perda de memória nos assusta, a solidão nos amedronta e os arrependimentos são inevitáveis. Afinal, a vida pode ser maravilhosa; o difícil é lidar com as migalhas dela que são deixadas pelo caminho com o passar do tempo.

Reciclar clichês no cinema nem sempre é algo que traz sucesso e qualidade. As apostas são sempre arriscadas e, com um tema tão retratado e batido como o amor, os filmes de romance são, acredito eu, os que mais sofrem deste problema. Deu certo com Diário de uma Paixão (o amor que resistiu ao tempo), As Pontes de Madison (o romance impossível), O Amor Não Tira Férias (desilusão e fuga que resultam em uma nova chance), PS: Eu Te Amo (separados pela morte) ou A Proposta (personagens que descobrem que amor e ódio caminham lado a lado). São inúmeros os exemplos e, para alegria dos fãs do gênero, um novo membro surge nesta nova safra de filmes de amor que farão sonhar as moças (e moços, por que não?) mais românticos.


Em 1996, acompanhamos a vida de Jamie Randall (Jake Gyllenhaal), um jovem charmoso, extrovertido e extremamente bem-sucedido quando se trata de mulheres. Conquistador inveterado, personifica o tipo de homem que muitos adoram, as mulheres amam e os homens odeiam (ou invejam). Com o dom de conseguir levar para a cama qualquer mulher que cruze seu caminho e lhe faça atiçar a testosterona, Jamie possui um histórico sexual incalculável.

Após ser demitido de um emprego em uma loja, ele se embrenha na indústria farmacêutica e se torna representante da Pfizer, famosa empresa do ramo. Em princípio, precisa enfrentar o concorrente anti-depressivo Prozac em favor de seu produto, o Zoloft. Para isso, bate de frente com Terry Hannigan (Gabriel Macht), grande fornecedor de amostras ao doutor Stan Knight (Hank Azaria), médico da bela Maggie Murdock (Anne Hathaway), uma jovem de 26 anos que sofre de um estágio inicial do mal de Parkinson, doença degenerativa que afeta a coordenação motora.


Quando conhece Maggie, Jamie vê a moça como o mais novo alvo de suas conquistas. Ela, ciente de sua doença e levando a vida o menos sério possível, quer apenas sexo e diversão.  Essa espécie de versão feminina de si mesmo poderá mudar Jamie para sempre, em que ambos vão descobrir que, quanto mais se foge do amor, mais ele pode lhe perseguir.

Baseado no livro Hard Sell: The Evolution of a Viagra Salesman, de Jamie Reidy, Amor e Outras Drogas conta com direção, produção e co-adaptação do roteiro de Edward Zwick (Lendas da PaixãoO Último SamuraiDiamante de Sangue) e acompanha a descoberta do Viagra, a grande revolução sexual que deu a homens e mulheres a chance de redescobrir o prazer sexual, independente da idade. Entre tardes regadas a sexo sem compromisso, Jamie e Maggie vão se envolvendo cada vez mais, trocando intimidades na qual revelam seus medos e experiências. É a porta de entrada para que o tal sentimento de quatro letras entre sem ser convidado.

Jamie, que divide o teto com o irmão mais novo, o inconveniente Josh (Josh Gad), conseguirá seu trunfo como representante do Viagra, cuja propaganda lhe cai como uma luva. Afinal, quem melhor para vender a droga do sexo do que alguém que mais entende do assunto? Nesse meio tempo, a relação dele com Maggie vai se aprofundando cada vez mais e o sentimento que um sente pelo outro passa pela maior das provas: a doença dela.


Em Amor e Outras Drogas, Anne e Gyllenhaal estão tão à vontade em seus papéis que é impossível não se encantar. No auge da beleza e sucesso, a dupla – que já havia sido par romântico no premiado O Segredo de Brokeback Mountain – volta, cinco anos depois, em uma trama mais descontraída, mas que não deixa a peteca cair quando se trata de arrancar lágrimas da plateia. Do charme e carisma de Gyllenhaal à beleza natural e adorável de Anne (indicados ao Globo de Ouro por seus papéis), é interessante acompanhar como estes jogos de amor e sexo são expostos e que, mesmo cientes dos riscos, se permitem não resistir e se entregam.

Com ritmo e um bom roteiro – que não busca fazer necessariamente rir, mas, sim, criar empatia com seu público – Amor e Outras Drogas mostra a dupla com uma sensualidade latente e à vontade nas cenas mais íntimas, incluindo nu e cenas de sexo convincentes. A trilha sonora, recheada de hits dos anos 90, traz nomes como Spin Doctors, Fatboy Slim e até a clássica Macarena (quem não se lembra dela?), passando por Berlinda Carlisle, famosa em carreira solo no final dos anos 80 até desembocar na contemporânea Regina Spektor.

Com uma dupla que traz veracidade e se mostra confortável nos seus papéis, acompanhamos um casal real, com problemas reais e que age como um casal da vida real. Sem ser um romance açucarado demais, vai falar diretamente com o público que já passou pelo sexo casual que pode vir a se tornar – ou se tornou – um namoro. Porém, como uma pílula capaz de curar alguma dor ou doença, o amor também é uma droga e provoca efeitos colaterais. E todos precisamos dele para nos sentirmos bem, por mais que sua dose tenha um gosto amargo em alguns momentos.

Quem espera chegar ao cinema para assistir ao documentário Elza e se derreter em lágrimas, pode esquecer. Diferente da trajetória sofrida da mulher nascida no morro que se casou e foi mãe aos 12 anos, ficou viúva aos 18, sofreu com a morte de dois filhos e enfrentou ostracismo e racismo de uma sociedade ao se envolver com o jogador de futebol Garrincha, Elza não fala de tristeza. Assim como a cantora, o documentário veio para cantar.

Dirigido pela dupla Izabel Jaguaribe (que já havia sido responsável pelo documentário Paulinho da Viola – Meu Tempo É Hoje) e Ernesto Baldan, o filme pode ser considerado não uma biografia, mas, sim, uma espécie de musicografia – com perdão do neologismo. Nele, a cantora carioca de 73 anos desfila pela tela ao mesmo tempo que é elogiada por diversas personalidades da música brasileira, que contam sua história a partir de lembranças e famosos “causos”.


De nomes como o cantor e compositor Moreira da Silva, o escritor e ator Haroldo Costa, passando por declarações do antropólogo Hermano Viana (irmão de Herbert Viana, líder do Paralamas do Sucesso), até a presença dos músicos José Miguel Wisnik e João de Aquino, o filme traz astros da música brasileira como Paulinho da Viola, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Mart`nália, rasgando seda sobre aquela que eles consideram uma das maiores vozes do país.

E não é pra menos: afinal, escolhida como a Voz do Milênio pela BBC de Londres, Elza Soares tornou-se uma cantora de diversidade sonora ilimitada. Do samba ao jazz, do samba-canção ao choro, e até fortes passadas pela música romântica, para ela o improviso é a grande alma que lhe dá voz. Ou a voz que lhe dá alma. O espectador escolhe.


Com seu primeiro grande sucesso, Se Acaso Você Chegasse, Elza desceu do morro, passou pelo preconceito e deu sua inigualável rouquidão às multidões, aliada ao jeito malandro, uma espécie de ginga da maloca, características que não perdeu ao longo do tempo. E, sem intenção alguma de abandonar os palcos, encarna com força e talento a mulher negra brasileira. Como cita Bethânia, “Elza representa a aristocracia do morro”.

A propósito, Bethânia é uma das vozes que firmam parceria em Elza. O filme, mais do que um retrato, é uma espécie de roda de samba, uma mesa de boteco, onde amigos se reúnem em louvor a um dos maiores ícones da música brasileira. De canções como Lama, de Arrigo Barnabé, Flor e Espinho, de Benito di Paula, Rosa Morena, de Dorival Caymmi, Sei Lá Mangueira, de Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho,É Luxo Só, de Ary Barroso e Luiz Peixoto, e até mesmo a inesquecível Samba da Bênção, de Vinicius de Moraes, é a voz de Elza que ecoa em uma tela preenchida por sua eletrizante presença.


De parcerias emocionantes (com Caetano ao cantar e chorar com Dor de Cotovelo), passando pela catártica e longa união com Bethânia, até a deliciosa voz de veludo de Paulinho da Viola com a fúria de Elza, acompanhamos ainda um mix de sucessos de Jorge Ben Jor em uma parceria marcante. Ousada e bem-humorada, Elza Soares oferece momentos memoráveis, quando conta que decidiu ser prostituta após uma ingenuidade juvenil e de onde surgiu seu gemido rouco tão marcantes em suas canções.

Nesta dura descriminalização do samba com o longo passar dos anos, Elza fez parte desta evolução do ritmo, do movimento, do improviso, em uma reinvenção quase inconsciente em que, para ela, “até o sério deve ser louco”. Ousada, pobre, negra, guerreira, cantora, mãe, mulher, mito. Enfim, apenas Elza, como diz o título do documentário.