Mais um dos filmes que fez bonito no Oscar 2011, O Vencedor (The Fighter, EUA, 2010) tem grandes méritos. Não chega a ser um Touro Indomável (1980) ou um Menina de Ouro (2004), mas é um bom filme sobre boxe que merece ser descoberto.

Inspirado na história real da dupla de irmãos boxeadores Micky Ward (Mark Wahlberg) e Dick Eglund (Christian Bale), o filme mostra a vida dos irmãos envolvidos no boxe e a relação com a mãe, Alice (Melissa Leo). Quando Micky se torna uma grande promessa do esporte, seu irmão, um viciado em crack e a mãe, uma perua suburbana, decidem tomar conta da carreira do lutador.


Dirigido por David O. Russel (Três Reis, Huckabees – A Vida é Uma Comédia), o filme traz um lado sujo dos personagens, todos despidos de suas vaidades para mostrar um trio envolvido pelo sonho da fama e do dinheiro envoltos pelo boxe. Dick, o irmão mais velho e vivendo do ostracismo, projeta no irmão Micky sua chance de brilhar fora de seu submundo das drogas. A mãe, que perdeu no primeiro filho a chance do sucesso, além das outras sete filhas frustradas e manipuladoras, vê no caçula Micky a oportunidade de sair da miséria.

Quando Micky se envolve com a garçonete Charlene (Amy Adams), a jovem vê a pressão diante do namorado como um empecilho para seu sucesso, criando uma guerra entre a desestruturada família. Porém, o grande drama do filme decai sobre Dick, interpretado com maestria por Christian Bale (Oscar de Ator), em uma atuação espantosa, misturando ironia, tiques nervosos e a aparência cadavérica provocada pelo uso do crack.

Melissa Leo, que interpreta a mãe Alice, abocanhou a estatueta dourada de Melhor Atriz Coadjuvante (ganhando da colega de elenco Amy Adams, também indicada), traz uma personagem complexa que causa certa ojeriza e pena, mas que cativa o público. Com relação a isso, Russel tem seu grande mérito, obviamente. Não apenas por arrancar interpretações excelentes de seus atores, mas por dar um ritmo e naturalidade à história, com bons diálogos e personagens no limite de suas emoções.

Isso se dá, também, em Micky (interpretado corretamente por Wahlberg), que mistura masculinidade, serenidade e doçura, ao mesmo tempo em que é pressionado por todos os lados, como família, namorada, treinadores, empresários, adversários e até por si mesmo. E nesse redemoinho de emoções, acompanhamos uma família unida e destruída pelo boxe, que se tornou sua própria salvação e maldição.

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