Sucesso de crítica nos EUA, O Último Exorcismo ganhou fama por unir o popular tema exorcismo ao estilo mockumentary (ficção que utiliza técnicas de documentário). Porém, o filme, que conta com direção de Daniel Stamm, não passa de um grande embuste, que deu certo no grande sucesso independente A Bruxa de Blair (1999).


Em uma pequena cidade da Louisiana, o pastor Cotton Marcus (Patrick Fabian), astro religioso que leva fiéis ao delírio em seus cultos, é chamado para resolver um misterioso caso de possessão demoníaca. Junto de dois documentaristas, ele vai até a fazenda da família Sweetzer, onde Nell (Ashley Bell), uma tímida e doce jovem de 16 anos, mora com o pai alcóolatra Louis (Louis Herthum) e o temperamental irmão Caleb (Caleb Landry Jones).

A garota tem passado por sonambulismo e é a principal suspeita de assassinar os animais da fazenda com requintes de crueldade, mas nada lembra de seus atos. Assim, o reverendo vai “arrancar” o demônio – que, segundo ele, se chama Abbalam – de dentro de Nell. O curioso é que Marcus não passa de uma fraude, usando efeitos especiais como choque elétrico, sons demoníacos e fumaça artificial para os rituais.


Porém, após seu show para extorquir dinheiro da família, o reverendo percebe que há algo realmente estranho com Nell e precisa encarar um exorcismo real. É neste momento em que o suspense cresce e as cenas aterrorizantes deveriam tomar a tela, mas fica devendo ao espectador. O grande pecado é o roteiro, que começa muito bem mas, ao querer surpreender o público, se enrola em reviravoltas e mistérios que acabam não chegando praticamente a lugar nenhum.

Com baixo orçamento, O Último Exorcismo abusa dos recursos que lhe cabem com competência, como sombras, câmera tremida, objetos balançando e sangue artificial, além de um elenco desconhecido que traz impressionante veracidade às cenas. Porém, nem o ritmo e suspense crescentes das cenas conseguem salvar o filme, que mistura assuntos como a perda de um ente querido, suspeita de esquizofrenia, estupro, gravidez, incesto, aversão a Deus misturada à fé e conflitos familiares. Pecado de não saber que, muitas vezes, o menos é mais.

Apesar da dedicação interessante em seu desenvolvimento, O Último Exorcismo infelizmente resvala em um epílogo inconsistente e confuso. E a pior notícia é que, àqueles que esperavam que fosse realmente o último exorcismo do cinema, lamentem-se: o final dá explícita margem a uma sequência. Mas até o título – O Último Exorcismo 2? – soaria risível.

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