Aconteceu nessa terça-feira (11), em São Paulo, a pré-estreia do filme Desenrola (Brasil, 2010). Adolescentes eufóricas e uma péssima organização da distribuidora que, de olho no boom do cinema brasileiro ano passado (25,6 milhões de espectadores), fizeram a noite, que contou com presença da diretora Rosane Svartman e parte do elenco, incluindo o galã global Kayky Brito.

Na trama, a tímida e doce Priscila (Olívia Torres) é uma jovem de 16 anos que, após uma viagem de 20 dias da mãe Clara (Claudia Ohana), é deixada sozinha em casa. Encantada pelo galã do colégio Rafa (Kayky Brito, abusando dos músculos e caras e bocas, como sempre), ela fará de tudo para conquistar o rapaz. Para isso, contará com a ajuda do melhor amigo Caco (Daniel Passi), enquanto se torna amiga de Tize (Juliana Paiva), irmã do garanhão e que terá de passar por uma prova com seu namorado (papel do ator Jorge de Sá).


Para completar o grupo, ainda temos a dupla Boca (Lucas Salles) e Amaral (Vitor Thiré), dois amigos inseparáveis que darão maior humor à história. Enquanto Amaral é o chamado “amigo mala”, no mais estilo adolescente que esqueceu de crescer, Boca assume o papel do jovem acima do peso que, fugindo dos padrões de beleza supervalorizados naquele fase da vida, usa de seus métodos (não muito eficientes) para chamar a atenção e se destacar no grupo.

Pode-se dizer que Desenrola parece ter sido filmado em sequência. A princípio o filme traz diálogos risíveis e atuações que deixam a desejar, porém, a partir da segunda metade, parece se encontrar mais, com personagens – e atores – amadurecendo e atuações que quase atingem a média esperada. Ou seja, acompanhamos o desenvolvimento de Priscila que, antes sonhadora e em busca de aceitação, verá que suas prioridades podem ser outras.

Tema necessário para as novas gerações, a adolescência sempre foi retratada e continuará assim, seja com bom o mau gosto. Desenrola, anos-luz inferior à As Melhores Coisas do Mundo, de Laís Bodanzky, não chega a ser de todo ruim. Produção da Globo Filmes, é impossível não lembrar das figuras das últimas versões de Malhação, mas retrata jovens com maior veracidade que a noveleta global. Até mesmo a edição do longa lembra muito o programa, além de sua trilha, repleta de pop rock, além de nomes conhecidos pelo grande público, como Paralamas do Sucesso, Mallu Magalhães, Maria Gadú e uma curiosa homenagem ao hit dos anos 80 Don´t You (Forget About Me) do Simple Minds.

O roteiro até se esforça – e traz alguns raríssimos bons momentos – mas deixa a desejar, especialmente pela dificuldade do jovem elenco de não passar verdade e, na maioria das vezes, não saberem o que significa o termo “timing”. Com certas atitudes capazes de causar vergonha alheia nos espectadores (ou na maioria que já passou daquela fase), os personagens se envolvem nas mais diversas situações, como gravidez, boatos, a perda da virgindade, a disputa pelo garanhão do colégio, as decepções amorosas, a importância da reputação, o amor, a supervalorização da estética (ser gordinho ou fugir dos padrões de beleza tornam-se martírios), as viagens regadas a flertes e sexo até desencadear em uma superficial homossexualidade (não aprofundada, claro).

Com atores carismáticos e um ritmo correto, Desenrola começa pior do que termina, o que dá um certo alívio pelo ingresso comprado. A ideia, entretanto, vai agradar ao seu público-alvo teen, que terá seus dilemas expostos na tela.  Em uma época como a adolescência, onde imagem é tudo (pelo menos à primeira vista), a fila anda e tudo de bom e ruim acontece, é intrínseco não conseguir passar por tudo isso de forma indiferente. Tal fator se deve, claro, ao modo extremista com que os garotos e garotas reagem nesta fase, sempre cheia de dúvidas, dilemas e medos.

Desenrola traz, ainda, ponta de atores como Marcelo Novais e Letícia Spiller, além de Pedro Bial (em folga de Big Brother Brasil) e rápida aparição de Juliana Paes. Vai agradar aos jovens e pode dar certo saudosismo aos mais velhos (pro bem ou por levarem as mãos aos céus de terem atingido a maturidade). Porém, como ouvi certa vez em um filme – perdoem-me o lapso de memória em lembrar do título – um personagem teen abriu o jogo: “Se conseguirmos passar pela adolescência, conseguiremos qualquer coisa”. E faz sentido. 

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