Mais um filme com temática gay que assisti no Festival Mix Brasil de 2010. Curiosamente, deixei para os últimos dias e acabei conseguindo assistir ótimos filmes. Com o alemão Sasha, o diretor Dennis Todorovic já mostra um ótimo prólogo, que prende a atenção do espectador: o jovem do título (interpretado por Sascha Kekez), em uma loja, observa revistas gays e, com medo de ser pego ou visto, no auge do seu nervosismo derruba todas no chão, deixando-o desesperado. O humor já estava garantido em uma comédia despretensiosa e que cativa o público.


Acompanhamos Sasha e sua família (oriunda de Montenegro, dependente da Sérvia até 2006) e que mora na Alemanha há um certo tempo. Exímio aluno de piano, Sasha é pressionado pela super-protetora mãe Stanka (Zeljka Preksavec, ótima) para se tornar um dos maiores pianistas da Alemanha. Além dela, sasha convive com o restante da excêntrica família Petrovic: o rígido e ignorante pai Vlado (Predrag Bjelac), o hilário tio Pero (Ljubisa Gruicic) e o egocêntrico e burro irmão Boki (Jasin Mjumjunov).

Tendo como única amiga a descendente de chineses Jiao (Yvonne Yung Hee), Sasha se descobre apaixonado pelo belo professor de piano Gebhard (Tim Bergmann). Assim, o rapaz vai passando pelas mais tensas situações para conquistar a atenção – e o coração – do mestre, que irá se mudar em breve para Viena após conquistar a chance de ser um pianista de sucesso.


Ansioso, inexperiente e correndo contra o tempo, Sasha terá de enfrentar seu medo e tentar provar seu amor por Gebhard, um homem mais velho, maduro e com uma personalidade nada romântica. Nesta iminência de um concurso de piano prestes a acontecer, a partida de sua paixão, a descoberta da homossexualidade e a pressão da família – que ganha destaque além do personagem-título – Sasha vai entrar em um redemoinho de sentimentos e emoções á flor da pele que lhe deixarão, literalmente, perdido.


Com personagens cativantes e empáticos, Sasha traz um roteiro bem amarrado e com timing perfeito para humor e drama (difíceis de conciliar sem insultar o público, vamos concordar).  Assim, acompanhamos cenas que arrancam riso logo após deixar a plateia apreensiva ou comovida (embora sejam um pouco comprometidas pela dificuldade do protagonista em demonstrar tristeza em sua interpretação). Até porque em uma família extremamente conservadora, a homossexualidade cai como uma bomba e nunca é compreendida nem por aqueles que se consideram mais liberais.

Porém, em Sasha temos todos os elementos pra cativar o público alvo: atores carismáticos, uma boa fotografia, um bom roteiro, uma trilha recheada de violino e piano e sensualidade na quantidade certa. Afinal, descobrir-se gay, geralmente, vem acompanhado de um grande amor. E a combinação sempre deixa o adolescente completamente perdido.

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