Em 1989, na Noruega, quando Europa enfrentava seus últimos momentos de Socialismo x Capitalismo, o jovem Jarle (Rolf Kristian Larsen) é um jovem que, entediado com a situação do mundo e com seu universo, conhece o temperamental Helge (Arthur Berning), que odeia a burguesia e nasceu para criticar o planeta. Os dois se tornam grande amigos e, juntos da bela Cathrine (Ida Elise Broch), aproveitam a juventude regada a bebida, rock e drogas. O mundo do trio vai mudar com a chegada de Yngve (Ole Christoffer Ertvåg), um estudante que se muda para a escola de Jarle.


Dirigido por Stian Kristiansen, o filme acompanha Jarle que, namorando Cathrine, começa a ficar cada vez mais próximo de Yngve e passa a olhá-lo de um modo diferente. Descobrindo afinidades e uma relação diferenciada com o rapaz, Jarle sente-se apaixonado por ele, mas dividido entre o que sente por Yngve e confuso em relação à moça.

Com uma direção competente, personagens carismáticos e momentos de extrema delicadeza e sinceridade, O Homem que Amou Yngve traz um humor inteligente, bom ritmo e personagens extremamente cativantes. Afinal, é impossível não se deixar levar pela beleza e simpatia do ruivo Larsen, que interpreta Jarle com verdade e doçura. Yngve surge com uma beleza angelical e sensual, permeando um filme regado a rock (tanto pela banda que os personagens possuem, como pelas canções de The Cure, Joy Division, Jesus and Mary Chain e R.E.M.).


Lembrando o canadense C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor, clássico recente do cinema que trata do tema homossexualidade com franqueza e sem usar do sexo para atrair o público gay, O Homem que Amou Yngve usa, também, da bela fotografia para explorar as terras frias da Noruega em personagens fervilhando em sua juventude. Desta descoberta da sexualidade passando pelos problemas sociais e políticos, o longa não aprofunda o suficiente, mas agrada.


Mesmo com um final melancólico, é gratificante acompanhar como tais sentimentos incompreensíveis surgem com o ser humano e que, diante de personagens complexos por si só (tão comum em uma juventude atacada por distúrbios psicológicos), ainda é difícil lidar com o amor. E, talvez por isso, ele surja no passado ao ser conjugado no título do longa.

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