Atores carismáticos e competentes, uma direção bem cuidada e um tema interessante: tudo isso fez com que Minhas Mães e Meu Pai (The Kids Are All Right, EUA, 2010) se tornasse uma grande surpresa do cinema considerado “não comercial” em Hollywood, mesmo tendo estrelas como Annette Bening, Juliane Moore e Mark Ruffallo em seu elenco.


Casadas há cerca de vinte anos, Nic (Bening) e Jules (Moore) são mães biológicas de Joni, uma jovem de 18 anos (Mia Wasikowska, a Alice de Tim Burton) e Laser, de 15 (Josh Hutcherson) , respectivamente. Porém, na prática, ambas são mães dos jovens. A coisa se complica quando Laser decide procurar o doador do esperma que gerou ele e e a irmã. Surge, então, Paul (Mark Ruffalo), um homem que leva uma vida sossegada, sem muitas ambições que, mais jovem, decidiu doar seu esperma porque “achava mais legal que doar sangue”.

Vencedor do Teddy Award (prêmio dedicado à temática gay) do Festival de Cinema de Berlin deste ano, Minhas Mães e Meu Pai é dirigido pela americana Lisa Cholodenko (Cavedweller e Laurel Canyon – A Rua das Tentações), que fez um trabalho competente ao misturar comédia e drama na dose certa.


Com essa relação, que envolve os cinco personagens principais, os conflitos não demoram a surgir. Tudo começa quando Paul se envolve com Laser e Joni, causando um estranhamento nas mães, que sentem-se invadidas com a presença de Paul, que é e não é um pai dos dois, causando uma confusão desmedida nos personagens. O desconforto se agrava, principalmente, quando ele e Jules começam a ter um caso, gerando uma revolução na, até então, pacata família.


Apesar de algumas situações previsíveis, Minhas Mães e Meu Pai traz um elenco de primeira (até a apática Mia Wasikowska não decepciona) em uma história de uma família incomum, mas que tenta se ajustar às mudanças que acontecem de forma tão repentina. Moore, com seu costumeiro talento e beleza é sempre uma boa escolha, mas o filme é, definitivamente de Bening. Encarnando com veracidade e delicadeza uma lésbica, a esposa de Warren Beatty já é cotada como uma das mais prováveis indicadas ao Oscar 2011, em um filme que trata a homossexualidade sem estranhamento, preconceito ou uma tragédia final que separa os dois amantes. Parece que, pelo menos o cinema, parece estar evoluindo em relação à temática gay.

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