Considerado o segundo mais caro filme brasileiro da história, Lula – O Filho do Brasil custou cerca de R$ 16 milhões (perde, apenas, para os R$ 20 mi de Nosso Lar) e retrata a trajetória de Luis Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil entre 2003 e 2010. A obra é uma adaptação do romance homônimo escrito por Denise Paraná, que co-assina o roteiro junto a Fernando Bonassi e Daniel Tendler.
Em 1945, em Caetés, no sertão de Pernambuco, Eurídice, mais conhecida como dona Lindu (Glória Pires) é casada com Aristides (Milhem Cortaz), um homem violento e alcoólatra. Quando ele foge com a amante grávida para São Paulo, ela fica com os seis filhos pequenos, já esperando uma sétima criança. Esta, batizada Luis Inácio, seria o penúltimo dos filhos vivos de Lindu, que teria mais uma menina depois de Lula.


Na miséria e abandono do sertão, Eurídice cuida dos filhos, até ser chamada pelo ex-marido para ir a São Paulo com todos os filhos. Em 13 dias de viagem na boléia de um caminhão, ela desembarca em 1952 no porto de Santos, no litoral paulista. Lula (interpretado pelo carismático Felipe Falanga na infância e por Guilherme Tortólio na adolescência) conhece o pai somente aos sete anos e enfrenta este homem que se tornou cada vez mais violento e ignorante, impedindo até que os filhos frequentem a escola. Cansada do comportamento de Aristides, Lindu o abandona e se muda para a Vila Carioca, no bairro do Ipiranga.

A partir dali, Lula se especializa como torneiro mecânico e, em 1963, já começa a se envolver no sindicalismo, influenciado pelo irmão Ziza (Sóstenes Vidal). É instaurado o Regime Militar em 1964 e os confrontos entre militares e sindicalistas se intensificam por conta das exigências de reformas bancária, trabalhista, política e fiscal. Casado com Lurdinha (Cléo Pires), Lula (interpretado na fase adulta pelo ótimo Rui Ricardo Diaz) está prestes a ser pai, mas sofre com a perda do filho e da mulher durante o parto.


Assim, Lula se joga no sindicalismo para evitar seu sofrimento, com discursos cada vez mais calorosos e uma disposição sem medidas.  Já em 1974, casa-se com Marisa (Juliana Barone), com quem está até hoje. Porém, vai ganhando ainda mais força e começa a incomodar muito a Ditadura, especialmente pela greve dos 5 mil em 1977, que sitia o estádio na qual ocorria a assembléia.  Isso acarreta na tortura de Ziza e da prisão de Lula no DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), que só tem permissão para sair por conta do enterro da mãe, permanecendo ali até 1980.

Lula – O Filho do Brasil não trilha toda a trajetória do atual presidente. Acompanhamos, na verdade, a vida de Lula antes de ele entrar para a política (ele foi eleito deputado federal em 1986), além de suas três tentativas de eleição à Presidência da República (1989, 1994 e 1998). Finalmente, em 2002, é eleito e assume o cargo no início de 2003, além de ser reeleito em 2006.


Um grande destaque do filme é dona Lindu (o nome do filme, inclusive, faz uma analogia com relação a essa relação de Lula com a mãe). Mais importante pessoa na trajetória do personagem, o filme traz uma interpretação primorosa de Glória Pires, que se destaca e emociona ao atuar com Diaz, que interpreta o personagem com impressionante semelhança, desde a aparência física passando pelo modo rouco de falar e a língua presa (ambas características que, segundo o filme, aparecem no decorrer da vida de Lula).

Feito para emocionar, Lula – O Filho do Brasil foi o filme indicado pelo Brasil para concorrer a uma das vagas de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2011 (lembrando que, após a retomada do cinema brasileiro na década de 90, O Quatrilho, também dirigido por Barreto, foi indicado ao Oscar). Com direção correta, a bem trabalhada trilha sonora com predomínio de violinos e um personagem que se tornou um dos mais influentes líderes políticos do século 21, Lula – O Filho do Brasil retratou um homem que saiu da miséria e se tornou presidente de uma nação. Na dedicatória durante sua posse no dia 1º de janeiro de 2003, Lula dedicou sua maior conquista à sua mãe. E para um homem filho do Brasil, nada mais justo que ter uma mãe como dona Lindu. E vice versa.

Anúncios