Antes de dirigir A Vida Íntima de Pippa Lee, seu último longa-metragem, a diretora, roteirista e atriz Rebecca Miller já havia mostrado em seu terceiro filme que era uma das diretoras mais talentosas de sua geração. Com O Mundo de Jack e Rose (The Ballad of Jack and Rose, 2005), ela traz a história de Jack (Daniel Day Lewis, seu marido na vida real), um idealista protetor do meio-ambiente que mora em uma ilha isolada na costa dos EUA com sua filha Rose (Camilla Belle), uma jovem enigmática e estonteante.

Os dois convivem pregando os idealismos de Jack, sendo contra a invasão da ilha por empreiteiras e não têm televisão em casa. Neste estilo de vida rústico, Jack e Rose convivem com o medo do estado de saúde dele, que tem se agravado cada vez mais. Pensando no futuro da filha, que ficaria sozinha com sua morte, ele convida Kathleen (Catherine Keener) e os dois filhos adolescentes dela, Thaddius (Paul Dano) e Rodney (Ryan McDonald) para morar com ele e Rose. Conta-se, ainda, com a chegada da arrojada Red Berry (Jena Malone, irreconhecível).

A relação entre a temperamental Rose, o doce Rodney e o rebelde Thaddius vão provocar conflitos envolvendo todos os cinco, atrapalhando todo o convívio dentro da até então pacata casa. Neste misto de hormônios, sexualidade, temperamentos fortes, ciúmes, medo e inveja, os cinco vão tentar conviver como uma família, mas perceberão que isso pode ser mais difícil do que eles imaginavam.


Com pulso firme na direção – embora exagere em algumas cenas finais – Miller traz desempenhos corretos do marido Lewis, de Kenner e Belle que, aos 19 anos, exibiu toda sua beleza como a complexa Rose, em um misto de malícia (tanto sexual como comportamental) e inocência impressionantes. E nas belas paisagens litorâneas, a câmera vasculha suas belezas naturais ou não, criando um clima único, especialmente pela trilha de bom gosto e totalmente adequada à atmosfera do filme.


Com certo lirismo, especialmente em se tratando de seu epílogo em tom que se aproxima da tragédia, mas deixa seu tom melancólico em stand-by, onde se pode considerar que certos fatos do passado devem ser deixados para trás para, assim, poder ter uma nova perspectiva de futuro.

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