Assistir ao filme finalndês A Garota da Fábrica de Caixa de Fósforos (Tulitikkutehtaan tyttö,  1990) é uma experiência, digamos, nada agradável. Dirigido e escrito por Aki Kaurismäki, acompanhamos a história de Iris (Kati Outinen), uma moça que trabalha como supervisora em uma fábrica de caixas de fósforos. Em um emprego alienante (onde ela confere na esteira se as etiquetas estão coladas corretamente), ela vai para casa, onde é humilhada pela mãe e pelo padrasto. Cozinha, lava a louça, sem receber nenhuma palavra de carinho ou agradecimento.

Como se fosse uma pessoa invisível, Iris é tratada com desprezo por todos, sofrendo em silêncio. Eis que, após conhecer Aarne (Vesa Vierikko) em um bar, é levada para a casa dele, que pensa que ela é uma prostituta ao transar com ela. Porém, por conta desta noite, Iris descobre estar grávida. A notícia viria com alegria se Aarne, por quem ela está apaixonada, não a rejeitasse. Mas nada sai como planejado e Iris se encontra perdida, só podendo recorrer ao irmão (Silu Seppälä). Porém, a partir daí, a moça vai agir e as consequências não serão boas.

Que os filmes escandinavos mostram diálogos contidos, pouco afeto e um ar de melancolia, já não é novidade. Porém, com A Garota da Fábrica de Caixa de Fósforos chegamos a um ponto extremo do silêncio, onde as emoções são demonstradas de modo cruel, quase desumano. Curto (com apenas 68 minutos), o filme traz silêncios, tomadas longas e o constante olhar de tristeza e cansaço de Iris que, de tanto não receber amor, sente-se incapaz de amar e isso trará consequências trágicas a todos.

(Não há trailer disponível deste filme)

 

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