Para um fã, nada melhor que uma cinebiografia de sua banda favorita, certo? Não, necessariamente. Quando foi anunciado que o livro Neon Angel de Cherie Currie seria adaptado para as telonas, o mundo do rock ficou em alvoroço – especialmente, as meninas. Afinal, contar a história da banda The Runaways seria trazer de volta o primeiro grupo de rock formado só por mulheres.

Dirigido pela canadense Floria Sigismondi, veterana em propagandas para a TV e clipes musicais de artistas como Marilyn Manson, Björk, Christina Aguilera, David Bowie e Fiona Apple, a estreia de Floria na direção de longa-metragem traz no pacote a adaptação do livro de Cherie para o cinema. Ter uma diretora de videoclipes na direção de uma cinebiografia musical poderia ter um resultado acima da média, mas não é o que acontece com The Runaways – Garotas do Rock.

Traçando um panorama cronológico da ascensão do grupo, o filme começa apresentando, em 1975, as duas principais integrantes da banda: de um lado, a tempestuosa e ousada Joan Larkin (Kristen Stewart), que viria a se tornar Joan Jett; de outro, Cherie Currie (Dakota Fanning), uma moça doce, mas que já havia sido picada pela mosca do rock´n roll. Acompanhamos um breve retrato das duas – que ainda não se conhecem – mas que mudarão o cenário do rock, que atingia o auge da liberdade de expressão, regado a muito sexo e drogas, como manda o jargão.

Porém, quando Joan – que já tinha a intenção de montar uma banda somente com garotas – conhece Kim Fowley (Michael Shannon), o renomado produtor musical vê na ideia da jovem guitarrista a chance de criar sua própria galinha dos ovos de ouro. Ele chama, então, a baterista Sandy West (Stella Maeve) para dar o primeiro passo com Joan. As duas, então, começam os primeiros ensaios da banda.

Com intuito de achar uma loira fatal, Fowley encontra Cherie em um bar, em uma das cenas mais marcantes do filme. E ali temos a certeza que a atriz Dakota Fanning, hoje com 16 anos, cresceu, e deu vida à vocalista do The Runaways, em uma personagem que já foi considerada uma mistura inusitada de Iggy Pop e Brigitte Bardot. Tanto que um dos mais conhecidos hits da banda, Cherry Bomb, foi inspirado nela.  E graças às técnicas nada convencionais de Fowley, o grupo soube se dar ao respeito de não ser um mero grupo de garotas no pesado mundo do rock, impondo talento, atitude e gritando letras que os jovens – principalmente, as mulheres – queriam ouvir.

Então, com o grupo formado por Joan, Cherie, Sandy, a guitarrista Lita Ford (Scout Taylor-Compton) e a baixista ficcional Robin Robbins (Alia Shawkat) – visto que Jackie Fox, a original, não foi retratada no longa – o auge chega em uma turnê pelo Japão, onde as garotas causam grande alvoroço e comoção. E, claro, depois de certo tempo, surgem os desentendimentos que começam a atrapalhar o grupo, dando destinos diferentes a cada uma delas.


Porém, o filme traz pouca emoção. Até mesmo a tão esperada cena de beijo entre Dakota Fanning e Kristen Stewart é morna e não empolga. Os pontos mais relevantes são, claro, Joan (e seu envolvimento com mulheres, além da personalidade tempestuosa) e Cherie (com seu vício em drogas e conflitos familiares). Fora isso, o filme sofre do “mal” similar ao da própria banda: uma história curta. A diferença é que The Runaways marcou para sempre o rock e The Runaways – Garotas do Rock deve ser esquecido em pouco tempo.

Porém, muitos elementos estão ali: o sucesso repentino, a psicodelia, a rebeldia, o sexo e a ousadia das meninas, só que trabalhados sem profundidade. E, embora o filme retrate bem a aura da década de 70, tanto pela direção de arte, fotografia, figurino e trilha sonora, The Runaways – Garotas do Rock não inova e cai no lugar comum. Não chega a ser um filme ruim, mas poderia ser muito melhor.

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