O Garoto de Liverpool só estreia nos cinemas brasileiros no dia 3 de dezembro, mas eu já tive a oportunidade de assistir ao filme, uma das muitas homenagens ao ex-Beatle John Lennon, que teria completado 70 anos no dia 9 de outubro. Assassinado em dezembro de 1980 por um fã, o cantor tem sua adolescência retratada no longa, dirigido pela inglesa Sam Taylor-Wood (do curta Love You More e de um dos sete curtas da série pornográfica 7 Vezes Erotismo).

Em 1957, acompanhamos o jovem John Lennon (Aaron Johnson) que, aos 17 anos, vive com os tios Mimi (Kristin Scott Thomas) e George (David Threlfall). Com um espírito livre e libertino, o garoto estuda na conservadora escola Quarry Bank, em Londres, onde é constantemente reprimido por sua atitudes ousadas.


Após a morte do tio, John tem de viver com a rígida Mimi, mas seu comportamento à frente do seu tempo torna-se um incômodo para ela, que sente-se impotente diante do despertar do rapaz. Eis que John, então, parte em busca de sua mãe, Julia (Anne-Marie Duff), que o abandonou ainda na infância e hoje vive com o marido Bobby (David Morrissey) e as duas filhas, Julia e Jackie.

Assim, indo contra as ordens da reservada Mimi, John começa a se encontrar às escondidas com a mãe, uma mulher ousada e espevitada, que aflora ainda mais o espírito aventureiro do rapaz. Com fortes pitadas de contornos incestuosos, Lennon e Julia começam a descobrir as afinidades que os unem. Nesse meio tempo, o amor à música desperta o desejo de John de criar uma banda. Ao ver Elvis Presley em um filme, o rapaz sente o rock´n roll pulsar em suas veias, mudando de estilo e monta, com amigos do colégio Quarry Bank, a banda The Quarry Men.


Com Lennon, Pete Shotton (Josh Bolt), Colin Hanton (Sam Wilmott), alguns outros amigos e a posterior entrada de Paul McCartney (Thomas Sangster) e George Harrison (Sam Bell), The Quarry Men começa seu sucesso em apresentações na cidade. O meninos do rock começam a descobrir o estrelismo e o sucesso – embora o nome Beatles nem chegue a ser citado. Afinal, o filme não chega a 1960, ano em que a banda seria formada, com a entrada de Ringo Starr dois anos depois.

Com uma direção correta, que dá um ar de feel good movie (mesmo com as cenas de forte apelo dramático), O Garoto de Liverpool tem, ainda, interpretações acima da média, com situações recheadas com uma ótima trilha sonora. Johnson, que ficou mais conhecido pelo papel-título em Kick Ass – Quebrando Tudo (já com continuação confirmada para 2012) tem, aos 21 anos, o carisma, talento e sensualidade latentes – embora não tenha nada que remeta ao próprio John Lennon – que são um dos maiores trunfos do filme.


E ao mostrar a trágica e conturbada relação entre o músico, Mimi e a mãe Julia (que se tornou tema de uma canção homônima), acompanhamos os traumas de infância que perseguem Lennon por longos anos – e talvez pela vida toda. Porém, aquele garoto de “lugar nenhum” (como predestinavam muitos), inicia uma jornada que o levaria a se tornar um dos maiores ídolos da música no século 20.

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