O escritor irlandês Oscar Wilde teve uma vida curta, porém intensa. Em seus 46 anos de vida, escreveu contos, peças importantes (O Leque de Lady Windermere, Uma mulher Sem Importância e Um Marido Ideal, só para citar algumas), porém é mais conhecido pelo seu único romance: O Retrato de Dorian Gray.

Em Wilde, dirigido por Brian Gilbert (Tom e Viv, Nunca sem Minha Filha, O Encontro) e lançado em 1997, o diretor traça um pequeno retrato da vida do famoso e polêmico escritor, morto em 1900.

Interpretado com maestria por Stephen Fry (O Guia do Mochileiro das Galáxias, V de Vingança e confirmado para a sequência de Sherlock Holmes), acompanhamos Wilde em Londres, já em vida adulta, casado com Constance (Jennifer Ehle). Após ser seduzido pelo amigo Robbie (Michael Sheen), começa a se envolver com diversos homens.

Obcecado pela juventude e pela liberdade de pensamento daquela geração, se relaciona com homens mais novos, como John Gray (Ioan Gruffudd, o Senhor Fantástico de O Quarteto Fantástico) que lhe inspirou a escrever O Retrato de Dorian Gray, sobre um jovem obcecado pela juventude eterna. Enquanto esconde da esposa suas paixões extra-conjugais, desenvolve peças teatrais que são sucesso absoluto nos palcos londrinos.

Porém, tudo muda de figura quando conhece o Lord Alfred Douglas (Jude Law), mais conhecido como Bosie, que lhe desperta uma paixão fulminante. Belo, jovem e extremamente mimado, Bosie se torna o grande amor da vida de Wilde, que se rende aos seus luxos e insultos que lhe custarão um alto preço.

Sempre na companhia de Bosie pelas rodas sociais londrinas, os boatos de homossexualidade começam a aflorar, associados à sua poesia, que falava de “um amor que não ousa dizer o nome”, uma clara alusão ao amor gay, terrivelmente recriminado àquela época. E é Lord Queensberry (Tom Wilkinson, fantástico), pai de Bosie, que fará com que Wilde vá a julgamento, acusando-o de “atos imorais com diversos rapazes”. Recusando a sair do país, o escritor é condenado a dois anos de prisão, pondo fim à sua carreira e à sua vida pessoal.

Com esplêndida reconstituição de época e mostrando um Wilde educado, inteligente, charmoso e com uma capacidade desmedida de entreter qualquer pessoa com sua inteligência, o filme traz um homoerotismo latente que permeia todo o filme. Fry, homossexual assumido, dá vida de forma brilhante a Wilde, com um olhar constantemente melancólico. Por outro lado, Jude Law, no papel de Bosie, exala beleza, sensualidade e parece bastante à vontade nas ousadas cenas gays.

O belo uso da fotografia é outro ponto forte em Wilde, especialmente nas cenas internas da família, remetendo a belos quadros do Romantismo, mostrando uma pureza e delicadeza quase táteis, especialmente na figura de Constance, a esposa que, mesmo sendo traída e rechaçada pela sociedade, jamais abandonou Wilde.

Com uma ponta de Orlando Bloom (como um rapaz que flerta com Wilde) e a presença curta, porém marcante de Vanessa Redgrave, como Lady Speranza Wilde, a mãe do escritor, o filme mostra o preço que Oscar Wilde teve de pagar no século 19 por se apaixonar por outro homem. E sua mais famosa frase ilustra isso, afinal “existem duas tragédias na vida: uma é não conseguir o que se quer e a outra é conseguir”.

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