Se o Oriente tem seu Walt Disney, esse título é, denifitivamente, de Hayao Miyazaki. Responsável por pérolas da animação como Meu Vizinho Totoro (1988), A Princesa Mononoke (1997), A Viagem de Chihiro (2001) e O Castelo Animado (2004), o mestre do anime é, aos 69 anos, um dos mais respeitados e competentes artistas, trazendo histórias capazes de cativar crianças e adultos.

Vencedor do Oscar em 2003 por Chihiro, Miyazaki e o Estúdio Ghibl têm uma parceria com a Disney desde 1996. O diferencial é que o diretor e roteirista não se rende às novas tecnologias e mantém a animação 2D em seus filmes desde sempre. E é com seu mais recente trabalho, Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar, que ele mostra que sua aposentadoria – sempre anunciada e sempre adiada – pode estar bem longe de chegar.

 

Com Ponyo, Miyazaki conta a história de Brunhilde. Filha do feiticeiro Fujimoto com a deusa do mar Gran Mamare, ela foi transformada em peixe pelo pai, que perdeu a fé nos seres humanos. Com motivos de sobra para desacreditar nas pessoas de carne e osso, Fujimoto aprisiona a filha-peixe, que só tem um sonho: ser humana.

Indicado ao prêmio de Melhor Filme no Festival de Veneza em 2008, o filme traz duas grandes  influências: o clássico conto A Pequena Sereia, escrito por Hans Christian Andersen – e que se tornou um grande sucesso animado da Disney em 1989 – como a lenda do pescador japonês Urashima Taro, que devolve uma tartaruga ao mar e descobre, tempos depois, ser uma princesa, filha do imperador dos mares.

Referências à parte, a vida do peixinho-dourado Bunhilde muda quando conhece o pequeno Sosuke, um menino de 5 anos que mora com a mãe à beira-mar. Acostumado a brincar com seu barco enquanto aguarda o retorno do pai pescador, ele dá o nome de Ponyo à criatura com corpo de peixe e rosto de menina.

Após ser capturada pelo pai, Ponyo decide abdicar de sua condição de peixe e escolhe pela humanidade, provocando um caos na cidade de Sosuke, por conta da fúria que se assola no mar local. Nessa delicada relação entre Ponyo e o garoto, os espectadores observam uma história simples, porém bem contada. Sem necessidade de efeitos especiais, Miyazaki mostra que o pouco, muitas vezes, diz muito.

Repleto de personagens extremamente cativantes, Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar trata de assuntos como solidariedade, preservação da natureza, compreensão, fé nos seres humanos e amor às pessoas pelo que elas são, porém, sem apelar para a pipeguice ou a lição de moral fáceis. Bem cuidado, traz outra característica de Miyazaki: a mistura de elementos infantis com misticismo e lendas, que sempre funcionam.

Com ritmo e trilha sonora (de Joe Hisaishi) primorosos, a animação traz crianças que, mesmo com medo natural, enfrentam suas responsabilidades e encaram os riscos de uma aventura em prol de algo. E como essas atitudes têm consequências boas e ruins. Por exemplo, a vinda de Ponyo na condição meio-peixe-meio-humana causa uma devastação na cidade por conta dos feitiços de Fujimoto. E com muita ação, suspense, comédia e, claro, romance, Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar é mais um ótimo filme na filmografia de Miyazaki.

Anúncios