Vencedor do Oscar de Melhor Documentário em 1984, The Times of Harvey Milk tem direção de Robert Epstein e produção de Richard Schmiechen para contar, de forma didática e emocionante a trajetória do ativista gay, assassinado em 1978.

O documentário começa com o anúncio da morte de Milk, repleto de imagens e vídeos de arquivo. Com depoimentos dos que conviveram com Milk, o filme traz personagens como Anne Kronenberg, Tory Hartman, Tom Ammiano, Jim Elliot, Henry Der, Jeannine Yeomans, Bill Kraus e Sally M. Gearhart.

Realizado apenas seis anos depois da morte de Harvey Milk, o longa metragem se inicia com declarações de como cada um dos entrevistados o viu pela primeira vez. Linearmente vamos acompanhando a sua trajetória política e pessoal, e como isso foi afetando toda a comunidade gay, social e política dos EUA.

Após servir à Marinha, Harvey Milk trabalhou na Bolsa de Valores em Wall Street e na Broadway, até imigrar para São Francisco, onde conheceu Scott Smith, seu namorado e abriu com ele a loja de câmeras Castro, que se tornou grande ponto de encontro da comunidade LGBT da região.

Em 1973, tenta um cargo no governo de São Francisco pela primeira vez, tornando-se uma piada para os muitos que não acreditavam nele. Dois anos depois, Milk encontra apoio no recém eleito prefeito de São Francisco, George Moscone. The Times of Harvey Milk mostra, nesse momento, raras gravações concentrações de homossexuais na região da Castro.

Os entrevistados contam, em depoimentos emocionados, o lado bom e ruim de Milk, como o seu temperamento difícil e sua ascensão, indo de porta em porta, nas ruas e atingindo até mesmo as senhoras da terceira idade com seu discurso de igualdade civil.

Aos 47 anos – e quatro tentativas depois – Milk é, finalmente, eleito como supervisor no governo de São Francisco, tornando-se o primeiro homossexual assumido da História a ocupar um alto cargo do governo. Gays e lésbicas sentem-se esperançosos por terem uma voz que os representasse, porém surge Dan White, outro supervisor de São Francisco: educado e simpático com seus eleitores, torna-se o grande opositor de Milk. Era o modelo que a sociedade conservadora sonhava, condenando as manifestações LGBT.

A comunidade gay sente-se ameaçada, com o recebimento de cartas com palavras de ódio, deixando-os preparados para um ataque ou assassinato a qualquer momento e o grupo torna-se odiado em todas as partes dos EUA.

John Briggs, senador, lança a proposição 6, que tenta banir professores homossexuais das escolas, considerando-os uma ameaça aos alunos. Com persistência, os gays vão às ruas e as pesquisas caem de 61% para 45% dos que apóiam a medida e a proposição não é votada por 59% (contra) x 41% (a favor).

O curioso é que The Times of Harvey Milk não cita, em momento algum, Anita Bryant, católica fervorosa que lançou, durante a polêmica da proposição 6, a campanha “Salvem nossas crianças” e foi uma das maiores oponentes de Milk, juntamente com Briggs e White.

Milk atinge seu auge, mas Dan White decide renunciar a seu cargo sem esclarecimentos maiores, assassinando o prefeito George Moscone e Harvey Milk no dia 27 de novembro de 1978.

Os gays sentem-se como se o curso da História, para eles, mudasse de rumo. Não houve choro nem gritos, relatam os entrevistados. Apenas o silêncio. Durante uma marcha de milhares de pessoas com velas a caminho da Câmara Municipal de São Francisco, vídeos da época mostram gays, lésbicas e heterossexuais postando sua última homenagem a Milk.

“Muitas pessoas se assumiram naquela semana do assassinato de Milk e perceberam que viviam uma mentira. Isso me tocou muito, pois foi essa luta que lhe tirou a vida”, declara uma entrevistada.

Filmado seis anos após a tragédia, The Times of Harvey Milk acompanha, ainda, o julgamento de White, que confessa o crime. A perícia mostra que foi premeditado, pois levou a arma do crime com munição extra e pulou a janela da Câmara para fugir do detector de metais.

Sua esposa, Mary Ann, torna-se a testemunha chave do caso e os advogados de defesa atestam que White passava por forte depressão. Condenado, recebe uma pena de três anos mais dois anos para cada um dos assassinatos. A população se revolta e destrói a Câmara Municipal de São Francisco, com incêndio de carros e confrontos com a Polícia. White cumpre cinco anos da pena e é solto em 1983, sem nenhum tipo de tratamento psiquiátrico. Um ano depois do lançamento do documentário, White se suicida.

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