Após o desaparecimento de uma garota, cinco personagens se cruzam, dando margem para uma mudança de perspectiva em suas vidas. O curioso é que cada um dos cinco principais – cada um com um sentido aguçado – fará uso dessa sensação para uma busca externa e interior.

Dirigido por Jeremy Podeswa, o filme começa apresentando os personagens – e seus sentidos – de forma sutil e intimista. Os personagens, bem construídos com características peculiares, são formados por Rachel (Nadia Litz), uma garota introvertida e traumatizada pela morte do pai. Voyeur, ela é a personagem que representa a visão e tenta ser outra pessoa, colecionando perucas. Sua mãe, Ruth (Gabrielle Rose), é a personagem do tato, uma massagista que tem uma relação distante com a adolescente. Sente-se culpada quando Rachel, ao passear com a filha de Anna (Molly Parker) deixa, por um descuido, que a menina desapareça.

Outro núcleo apresentado é o de Rona (Mary-Louise Parker), uma confeiteira (paladar) que tem sua vida virada de cabeça para baixo com a chegada do espevitado italiano Roberto (Marco Leonardi), um homem que ela teve um romance há tempos atrás.  Ela, sentindo-se invadida pela visita do estrangeiro, ainda tem de lidar com a mãe temperamental, que passa por problemas de saúde. É amiga de Robert (Daniel MacIvor), um gay fascinado por cheiros (olfato) que trabalha como faxineiro para um atraente casal. Em busca do “cheiro do amor”, Robert descobre uma atração correspondida pelo marido da patroa, uma criadora de fragrâncias.

O personagem mais bem construído e dramaticamente empático é Richard, um médico francês que convive com a ausência da esposa e da filha. Prestes a ficar surdo, ele cria uma lista de sons que gostaria de ouvir antes que seu problema se agrave.

Focado na solidão humana e em personagens perdidos no mundo e/ou em si mesmos, Os Cinco Sentidos é um filme delicado e introspectivo, em que muitas vezes o diálogo torna-se dispensável, sendo complementado pelas ações e olhares, além da bela trilha sonora. Essa busca pela superação dos dramas é o que move o filme, que tem fotografia bem cuidada e boas atuações.

Mesmo entrecortado em excesso – o que pode impedir uma maior aproximação do espectador com a rede de tramas do longa – Os Cinco Sentidos traz um final redentor, quase epifânico, quando o mistério sobre o desaparecimento da garota Amy Lee chega ao fim. É quando os personagens se encontram-se diante de seus sentimentos e sentidos, em um filme contemplativo que merece ser descoberto.

(Não há trailer disponível para este filme)

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