Todo diretor talentoso tem suas pequenas falhas na carreira. Dessa vez, chegou a vez de Judd Apatow. Depois de dois grandes sucessos seguidos na direção (Ligeiramente Grávidos, de 2006 e O Virgem de 40 Anos, de 2005), seu terceiro longa metragem foi um grande fracasso de bilheteria em sua estreia nos EUA e não agradou a críticos e fãs.

Gente Engraçada tem raros bons momentos, mas a mistura de drama e comédia não conquistou e foi contra as comédias de humor rasgado já dirigidas por Apatow.

O filme conta a história de George Simmons (Adam Sandler), um comediante milionário que descobre ter uma doença terminal. Melancólico, perdido em sua riqueza e sem orgulhar-se dos seus atos na vida, ele contrata o esforçado comediante stand up Ira (Seth Rogen, sempre ótimo) para lhe criar piadas e assim não deixar que sua carreira de comediante seja afetada pela sua doença.

A relação profissional dos dois trará surpresas que afetarão suas vidas pessoais, especialmente com o reaparecimento de Laura (Leslie Mann), grande amor de George e que hoje está casada com o australiano Clarke (o sempre fraquinho Eric Bana). Acompanhamos também a vida de Ira e seus dois amigos, também comediantes: o mordaz Leo (Jonah Hill) e o egocêntrico Mark (Jason Schwartzman).

Apatow, que também é produtor e roteirista de Gente Engraçada, tem Rogen como produtor executivo e Schwartzman como autor da trilha sonora, que alterna momentos de melancolia com comédia pastelão. Além disso, ninguém é poupado no humor negro que permeia o filme. De Jean Claude Van Damme a Harry Potter, dos nerds aos obesos, o filme destila seu veneno humorístico até no próprio Cinema e nas comédias stand-up, gênero de forte tradição nos EUA.

Com participação de diversos comediantes (inclusive alguns que tiveram sua glória e hoje permanecem em parcial ou total anonimato), podemos rever artistas como Paul Reiser (da sitcom Mad About You), Andy Dick (NewsRadio), Charles Fleischer (Laverne & Shirley), Ray Romano (Everybody Loves Raymond), Sarah Silverman (oriunda, como muitos, do fenômeno Saturday Night Live e que possui seu próprio programa nos EUA), além de Budd Friedman (criado do Improvisation Comedy Club).

Porém, a tentativa (mesmo que inconsciente) de se equiparar aos filmes de Wes Anderson – que mistura humor negro com melancolia de forma magistral com personagens se (re)descobrindo – não deu certo. Com uma duração extremamente excessiva (2 horas e 30 minutos), Gente Engraçada tem seus pontos fortes e Seth Rogen é um deles. Misturando inocência e humor, seu personagem se encarrega de oferecer aos espectadores os melhores momentos do filme. A cena em que ele se descontrola ao chorar no restaurante com Adam Sandler já pode ser considerada uma cena clássica do cinema de humor contemporâneo. Mas poderia ter um resultado final infinitamente melhor.

Anúncios