Um professor alcoólatra, politicamente incorreto e frustrado por sua tentativa em vão de se tornar um poeta. Uma jovem e temperamental cabeleireira sedenta por conhecimento e disposta a tudo para entregar-se à Literatura. Está criada a dupla que torna O despertar de Rita um filme emocionante, que foge da pieguice e mostra uma amizade incomum entre Frank Bryant (Michael Caine) e Rita White (Julie Walters).

 

Produzido em 1983, o filme tem direção de Lewis Gilbert (007 – o espião que me amava), foi indicado a 3 Oscar (melhor ator, atriz e roteiro) e deu o Globo de Ouro e o Bafta aos atores, que estão ótimos em seus papéis.

Muitos filmes já foram feitos – antes e depois de O despertar de Rita – sobre a relação entre professores e alunos, como Ao Mestre com Carinho (1966), Sociedade dos Poetas Mortos (1989), O sorriso de Monalisa (2003), entre tantos outros.

 

Quando Rita, uma cabeleireira espevitada decide ter aulas sobre literatura com o professor Bryant, ambos nem imaginam que suas vidas estão prestes a mudar, tanto em relação aos estudos como no campo pessoal.

De personalidades opostas, os conflitos logo se tornam uma lição de aprendizado, que fazem com que Rita descubra nos livros uma grande paixão e encontre seu lugar no mundo, sentindo-se “alguém”.

 

Casada com Denny (Malcolm Douglas), um homem machista e ignorante que luta pela relutância da esposa em dar-lhe um filho, ele é contra os estudos. Ela, porém, quer se descobrir e, com sua inteligência e esforço, fará de tudo para passar nos exames, que são avaliados por um núcleo exigente da universidade.

O filme demonstra a dificuldade de muitas mulheres de estudar, quando antes eram relegadas a serem mães e donas de casa para seus maridos. Então, separada de Denny, Rita fará o possível para dedicar-se à sua grande paixão quando faz uma viagem para a França. Retorna às aulas mais instruída, mas o conflito muda de lado e ela se vê pressionada pelo professor que, ao mesmo tempo que a ajuda, sente-se frustrado por ajudar a desabrochar tão talentosa criatura. É como se ela fosse seu Frankenstein.

 

Pontuado de cenas dramáticas e bem humoradas, O despertar de Rita traz a áurea de filmes britânicos que lembram os do grupo Monty Python, com seu humor rasgado, irônico e inteligente. Os diálogos, afiados e dinâmicos, ganham logo de cara a simpatia do espectador, com uma Julie Walters irretocável como a sonhadora Rita, enquanto a rabugice de Caine cai como uma luva nessa parceria que fará aflorar em ambos a amizade e despertar aquilo que eles nem sabiam como recuperar: a confiança em si mesmos e o prazer de aprender e ensinar.

(Não há trailer sobre este filme disponível)

entos de contemplação e poesia.

 

 

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