Baseado em duas histórias reais, o longa Julie e Julia tem como premissa os livros My life in France (escrito por Julia Child) e Julie e Julia (da autora Julie Powell). Dirigido e com reitor adaptado para as telas pela sempre esperançosa diretora Norah Ephron (Sintonia de amor e Harry e Sally – feitos um para o outro), o filme traz a história real dessas duas mulheres, em um entrelaçado de personagens separadas pelo tempo.

Contada de forma simultânea, porém com personagens separados cronologicamente – recurso utilizado no esplendoroso As horas – o filme traz a personagem Julie Powell (Amy Adams, melhor a cada dia), uma jovem casada com Eric (Chris Messina), que vive na conturbada Nova York de 2002, ainda em frangalhos pós 11/09. Ex-editora de uma conceituada revista, Julie trabalha como atendente telefônica da empresa responsável pela construção do memorial em homenagem aos mortos nos ataques ao World Trade Center. Melancólica e sem expectativas de vida, ela decide cria um blog em que relembra as famosas receitas francesas da cozinheira norte-americana Julia Child (Meryl Streep, adorável como nunca).

Assim, acompanhamos o desenvolvimento e reconstrução da vida de Julie enquanto observamos a vida de Julia e seu marido, o embaixador Paul Child (Stanley Tucci). Com um amor incondicional à França, Julia começa, na década de 50, a estudar a culinária francesa com o objetivo de escrever um livro sobre o tema direcionado para americanos. E assim vamos acompanhando a vida de Julie, que vai voltando a sentir o prazer de viver graças às receitas de Julia enquanto decide criar um blog com o objetivo de recriar (e escrever sobre) 524 receitas num período de 365 dias.

Streep e Tucci, que já haviam trabalhado juntos em O diabo veste Prada, trazem personagens adoráveis, bem como a jovem Amy Adams, que mistura doçura e humor na medida certa em sua personagem, que vai da depressão iminente até um estado de esperança emocionante.

Um ótimo feel-good-movie, Julie e Julia preza pela bela direção de arte e pelo bem cuidado figurino que recria os anos 50 de Julia Child, encarnada em uma Meryl Streep adorável, sorridente, única. Na verdade, todo o elenco está muito à vontade, com uma simpatia natural e extremamente convincente, dando o clima perfeito de amor e felicidade que as personagens compartilham com seus maridos.

Lembrando outros filmes que utilizam a temática culinária, como A festa de Babette e Como água para chocolate, Julie e Julia ganhou forma em um filme delicioso, no sentido literal da palavra. Surpreendente e para assistir com um sorriso no rosto e muita água na boca.

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