Eytan Fox, diretor israelense naturalizado norte-americano, é um sujeito ousado. Depois de dirigir Delicada Relação (2002), que contava a história de amor entre dois soldados na fronteira do Líbano com Israel, Fox retornou ao tema homossexualidade com The Bubble (2006).

Contando a história de três jovens israelenses que moram em Tel Aviv, segunda maior cidade de Israel, acompanhamos a história do vendedor de discos Noam (Ohad Knoller, ator que faz um dos soldados em Delicada Relação) , o gerente de um café Yali (Alon Friedman) e Lulu (Daniela Virtzer), uma vendedora de cosméticos. Dividindo um apartamento, o trio discute sexo e mostram nessa bolha chamada Tel Aviv, mais liberal e jovem.

Desconectada, de certa forma, dos conflitos políticos e religiosos que assolam o país, Tel Aviv é “a bolha” que dá titulo ao filme. Noam, que já prestou serviços ao Exército, conhece ao acaso o palestino Ashraf (Yousef ‘Joe’ Sweid) e a paixão torna-se inevitável. Parte daí o enredo de um filme que tinha tudo para resvalar no sentimentalismo barato ao contar a história de amor entre um palestino e um israelense, mas que surpreende com seu enredo sério, sem tornar-se necessariamente um documento puramente político.

Com estilo documental semelhante a Delicada Relação, o filme trata, ainda, da influência norte-americana no país e mostra um discurso aberto e descontraído sobre a homossexualidade, o amor e os conflitos que se passam na região, todos eles entrelaçados em suas vidas, com prazeres, consequências e sonhos.

Praticamente dividido em duas partes, The Bubble conta, num primeiro momento, essa alegria de se viver em Tel Aviv, “fechando os olhos” para os problemas. Porém, a segunda parte, mais carregada dramaticamente, se passa a partir dos momentos em que os conflitos invadem Tel Aviv e torna a relação entre palestinos e israelenses tensa dentro da tal “bolha”. Além disso, a homossexualidade de Schraf é descoberta por sua família, o que abala o relacionamento do palestino com o israelense Noam.

Com cenas eróticas ousadas e nudez, o filme se sustenta pelo ótimo roteiro, uma trilha deliciosa e carisma dos personagens. A beleza da temperamental Lulu, interpretada pela bela Daniela Virtzer, também é outro ponto forte do filme. É a presença feminina por excelência no longa, com seus ideais fincados no que ela acredita, fugindo do estigma de subestimação da mulher no país.

Com inserções de momentos da infância de Noam e Schraf na capital Jerusalém, o filme emociona sem ser apelativo, mostrando um conflito de tradições familiares e tragédia que cercam a vida dessas pessoas. É interessante, mesmo que chocante, observar como a vida de cidadãos comuns pode ser afetada neste conflito que não tem previsão de terminar.

O final, chocante e surpreendente, não dá ao espectador a chance de assimilar o que acabou de ver. Fica a impressionante sensação de vazio e tristeza que pode ressoar momentos depois que o filme termina. E merece ser conferido.

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