Vencedor do Oscar de Roteiro Original e de Melhor Curta Metragem em Cannes em 1957, O Balão Vermelho (Le Ballon Rouge, 1956) consegue, em pouco mais de 30 minutos, envolver o espectador de uma forma inexplicável.

Dirigido e roteirizado pelo francês Albert Lamorisse, o filme conta a história do menino Bastian (Pascal Lamorisse, filho do diretor), que encontra por acaso um balão vermelho a caminho da escola.

Mostrando uma França suja, cinzenta e em ruías, o filme acompanha a dedicação do menino com seu reluzente balão vermelho pela cidade. A caminho da escola, podemos observar os olhos dos que passam e observam a única coisa colorida da cidade, em um destaque tão contrastante que emociona e choca. Afinal, vermelho pode significar muitas coisas: pecado, sangue, vida. E são coisas que a sociedade da época (e de hoje) procura esconder debaixo de suas vidas sem cor.

Com uma câmera observadora recheada de planos longos temos, muitas vezes, a impressão de estarmos diante de um belo quadro ou uma esplêndida fotografia, favorecida pela emocionante trilha sonora. E o balão ganha vida – e dá vida ao menino Bastian. Com vida própria, o balão foge, volta, voa para onde quer, tudo com efeitos especiais muito bem realizados para a época.

Quando a inveja, a maldade e a incompreensão tomam conta do filme, Bastian precisa defender seu balão a todo custo das garras das outras crianças, que querem roubar e/ou destruir seu objeto de desejo.

Com ternura no olhar e muita esperteza, o garoto defende o símbolo de sua transgressão ao máximo. É impossível não abrir um largo sorriso quando o menino passa ao lado de uma menina com um balão azul e os balões fogem de suas mãos e se seguem. Simples e poético.

O balão vermelho, após incessante fuga é, finalmente, destruído pelos outros garotos. Eis que o maravilhoso final toma forma: todos os balões da cidade seguem, como em procissão, ao encontro de Bastian. Das mais diversas cores, o céu da cidade se colore de vermelho, amarelo, verde e azul, dando ao menino a oportunidade de voar. Extremamente poético, O Balão Vermelho era um projeto extremamente pessoal de Albert Lamorisse, um diretor obcecado pelas alturas. Paixão que inclusive lhe tirou a vida quando, aos 48 anos, o helicóptero em que filmava um documentário caiu no Irã, em 1970.

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