Há mais de dez anos sem realizar uma turnê, Michael Jackson havia programado para 2009 uma série de 50 shows em Londres, na O2 Arena. A turnê prometia ser um espetáculo audiovisual impressionantemente bem cuidado e grandiloquente. Porém, em 25 de junho, um mês antes do início da turnê, o mundo entrou em choque com o anúncio da morte do Rei do Pop, que já tinha vendido 750 mil ingressos em cinco horas.

As mais de 100 horas de gravações dos ensaios da turnê This Is It, que virariam um registro dos ensaios, tornaram-se o documentário homônimo dirigido por Kenny Ortega (da série High School Musical).

O objetivo era deixar o filme em cartaz por apenas duas semanas, com início em 28 de outubro, porém o sucesso foi mais do que o esperado e o filme permanece em cartaz no Brasil até hoje, um mês depois de sua estreia.

Com registro dos ensaios entre os meses de março e julho deste ano, This Is It mostra os ensaios incessantes baseados no perfeccionismo do cantor, que cuidava atento das coreografias, cenários e demais detalhes do grande espetáculo que pretendia apresentar aos fãs.

O filme é, nada mais, que o registro do que se veria nos shows de sua turnê. Parece pouco, mas não é. Com uma tecnologia impressionante que estava sendo utilizada nos shows e depoimentos emocionados e emocionantes de seus dançarinos, This Is It jamais apela para o sentimentalismo: é um Michael Jackson dedicado e empolgado com o que viria a ser uma reviravolta em sua carreira depois de diversas polêmicas e fracassos em torno de sua imagem.

Com muitas de suas cenas com câmeras localizadas fora do palco, This Is It dá aos espectadores a sensação de estar dentro dos ensaios, sentindo-se quase como na plateia do próprio show.

Além de um filme sobre o Rei do Pop, o registro é uma prova de amor dos próprios dançarinos, que eram uma extensão de Michael Jackson, com dedicação e preparação descomunais.

Fica claro que MJ não tinha a mesma disposição de antes mas, aos 50 anos, mantinha a essência de seu estilo único e inconfundível de se apresentar, tanto cantando como dançando.

É impossível não se arrepiar observando as famosas canções que todos conhecemos, como “Man in the mirror” e “Billy Jean”, ou não nos impressionarmos com a versão de “They don´t really care about us” (que tornou-se símbolo brasileiro ao ter seu clipe gravado pelo astro no Rio de Janeiro e em Salvador, com o Olodum). Nesta última canção, diante de um fundo verde, os 11 dançarinos se apresentam e, graças aos recursos técnicos, transformam-se em um exército de 11 mil soldados, em uma coreografia impressionante que faria parte dos shows. Outros sucessos como “Smooth Criminal”, “Bad” e a emocionante “I´ll be there” (da época do Jackson Five com exibição de imagens de arquivo), são apresentadas ao público, muitas com uma nova roupagem e até mesmo uma versão repaginada de “Thriller” em 3D, com dançarinos devidamente fantasiados e maquiados.

Com This Is It observamos Michael Jackson de perto. Um artista completo, que conhecia todas as suas músicas da primeira à última nota e que, mesmo calmo e educado, era extremamente exigente, pois queria provar aos fãs o que já sabíamos desde sempre: ele era e permanecerá por muito tempo como o Rei do Pop.

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