Oito anos após o acidente que matou a  sua esposa e deixou Herbert Vianna, líder dos Paralamas do Sucesso, entre a vida e a morte, é lançado o documentário Herbert de Perto, dos diretores Roberto Berliner e Pedro Bronz.

Sem apelar para o sentimentalismo barato, o filme, mesmo dirigido de forma didática em certos momentos, conta a história de um grande músico nacional de forma emocionante e empolgante.

Carregado de imagens e vídeos de diversas épocas da vida do artista, somos levados a conhecer, cronologicamente, dados desde a infância de Herbert nos anos 60 na Paraíba até os dias de hoje, em que superou todos os obstáculos e permaneceu como o líder dos Paralamas do Sucesso, banda na ativa desde 1976.

Com depoimentos dos pais Hermano e Tereza, do irmão Hermano e dos outros dois integrantes do grupo Bi Ribeiro (baixista) e João Barone (baterista), Herbert de Perto exibe, em uma miscelânea de cenas de ensaios, shows e gravações, a ascensão rápida dos três meninos que se tornaram membros de uma das bandas de pop rock mais famosas do País.

Acompanhamos a paixão do artista pelo violão desde criança, quando tinha uma vida nômade em razão da profissão do pai, um piloto da Força Aérea Brasileira. Da paixão pelo violão e pela guitarra, veio sua terceira: pilotar aviões.

Do grupo de rapazes que se conheceram ainda nos anos 70, estiveram membros que formariam, anos depois, grupos como Paralamas, Plebe Rude e Legião Urbana, que renderam ótimas parcerias, como Dado Villa Lobos e até o próprio Renato Russo, ambos da Legião.

E é nessa viagem musical leve e divertida que o filme se desenrola, contando com depoimentos de Gilberto Gil, o próprio Dado, Carlinhos Brown, o músico argentino Fito Páez, além de radialistas, produtores e diretores musicais, com uma alternância entre passado e futuro, sempre recheado de depoimentos do próprio Herbert quando assiste a vídeos antes do acidente e comenta sua própria trajetória.

O auge no Rock in Rio e as turnês pelo Brasil, África e Europa, tudo é devidamente relembrado, especialmente quando das viagens pela África, na  qual a banda ganhou ares mais politizados, com letras que falam de racismo, pobreza e corrupção.

E como todo prazer tem seu preço, o amor por aviões levou a vida da esposa Lucy Needhan-Vianna – casada com ele desde 1991 e mãe de seus três filhos – e deixando Herbert internado por dois longos meses quando o aeroplano em que os dois estavam se chocou contra o chão, no dia 4 de fevereiro de 2001. Emocionante, Herbert de Perto mostra vídeos da família e o apoio dos fãs, parentes e amigos após o acidente,  que por pouco não matou o artista.

Acompanha-se, então, a recuperação, a força de vontade e o talento de um músico que fez da sua música sua grande arma de sobrevivência. Emocionante, merece ser conferido, principalmente, pelos fãs da banda.

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