A roteirista, diretora, atriz e cantora francesa Agnès Jaoui concebeu Enquanto o sol não vem (Parlez-moi de la Pluie, 2008), sua terceira experiência como diretora. Renomada, Agnès teve sua estreia atrás das câmeras com O gosto dos outros (2001), que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, além de receber o prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Cannes pelo seu segundo filme como diretora, Questão de Imagem (2004).

Parceiro costumaz de Agnès, o ator Jean-Pierre Bacri divide com ela (pela terceira vez) a autoria do roteiro com Enquanto o sol não vem, além de atuar no longa. Um dos atores mais populares da França, Bacri esteve presente nos três filmes que Agnes dirigiu e roteirizou.

sol 02

Na história, Agatha (Agnès) é uma profissional bem sucedida de ideais feministas que sempre colocou a carreira em primeiro lugar. Ela vai com o namorado Antoine (Frédéric Pierrot) passar uns dias na casa da irmã Florence (Pascale Arbillot) e do marido dela Stéphane (Guillaume De Tonquedec), que passam por uma crise.

O casal mora com a governanta Mimouna (Mimouna Hadji), cujo filho Karin (Jamel Debbouze), um aspirante a diretor de cinema, decide se unir ao jornalista Michel (Jean-Pierre Bacri). O objetivo dos dois é aproveitar a estadia de Agatha e filmar um documentário sobre mulheres bem-sucedidas. As filmagens vão desvendando segredos e desenterrando mágoas passadas que envolvem todos os personagens.
sol 01
Traições, conflitos familiares, problemas de relacionamento, tudo vêm à tona com esse reencontro, que se encaixa na metáfora do título do filme.Enquanto o sol não vem se passa em um período de chuvas na região, relacionado a essa tempestade que paira sobre as tramas do longa.

Com diálogos dinâmicos e um ritmo correto, o filme tem a direção segura de Agnès, que conduz seus personagens com sinceridade sem cair na pieguice ou perder o ritmo. Até porque a ação se desenrola, em grande parte, em um mesmo espaço geográfico: a casa de Florence e Stéphane. Distante da cidade, o ar rústico do campo dá ainda mais margem para a beleza do filme.

Com um certo tom de suspense dos segredos antes de sua revelação, o filme preza, também, pelo humor discreto e agradável, especialmente pelos imprevistos e confusões no desenrolar das filmagens do documentário de Karin e Michel.
sol 03
O ator Jamel Debbouze, como Karin, é um grande destaque do filme. Lembrado pelo poético e divertido personagem Lucien, de O fabuloso destino de Amelie Poulain, Debbouze criou um personagem rústico, ignorante e explosivo, mas que, no fundo, é uma boa pessoa. Orgulhoso, se nega a ser inferiorizado por ser filho da governanta e pretende ser um cineasta de sucesso.

Sendo um bom retrato das relações familiares, o filme ganha créditos na bela fotografia e na ótima trilha sonora, com operetas e outras inserções musicais clássicas, além de prezar nos planos de câmera originais.

Esperançoso, Enquanto o sol não vem tem força em seus personagens, diálogos e na direção competente, sempre com os créditos a Agnès Jaoui. Merece ser descoberto.

Anúncios