Na noite do dia 14 de julho, após a exibição para a imprensa do documentário Coração Vagabundo no Cine TAM do Shopping Morumbi, em São Paulo, o cantor e compositor Caetano Veloso participou de uma rápida coletiva de imprensa com o diretor do filme, Fernando Grostein Andrade. Produtora do filme, Paula Lavigne não participou das perguntas, mas posou para fotos momentos antes da pré-estreia, que contou com a presença de músicos, artistas e amigos de Caetano Veloso.

Durante as perguntas, o diretor Fernando Grostein Andrade deixou claro que o objetivo do filme não era fazer um perfil de Caetano e sim criar pequenos cortes permeados por sua música. E, quando perguntaram sobre a não passagem de Caetano pela Bahia durante o filme, o jovem diretor declarou: “Quanto mais longe Caetano estava do Brasil, mais ele falava de Santo Amaro [da Purificação, cidade natal do músico]. Ele não precisava ir à Bahia, pois ele é a Bahia”.
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Diante de toda essa brasilidade, Caetano explicou sua declaração sobre a música norte-americana ser a mais importante do século 20, como ficou registrado no documentário – e não agradou nada ao músico Hermeto Pascoal: “A música norte-americana em matéria de influência, segmentos e quantidade é a mais importante do século 20, sim. É inegável. Inclusive, jazzistas norte-americanos foram os que  influenciaram o Hermeto”, alfinetou o músico.

Como referências e influências para a realização do filme, o diretor afirmou que utilizou Gimme Shelter(documentário sobre o Rolling Stones, de 1970) eNelson Freire, dirigido por João Moreira Salles em 2004. Explicou, ainda, que Coração Vagabundo não nasceu como um documentário e sim como um making of da turnê A Foreign Sound, único álbum em inglês de Caetano Veloso. Porém, com um material bruto de 57 horas de gravação, foi inevitável a concepção de um longa: roteirizado, passou por muitas tentativas e erros até se achar a história final. Fora das decisões relacionadas à edição, o músico ainda explicou que não exigiu a exclusão de nenhuma de suas cenas.
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Essa isenção de Caetano na concepção do filme não se aplica à Paula Lavigne. Ex-mulher do músico e produtora de Coração Vagabundo, ela é quem aparece nos primeiros segundos do filme. De comum acordo, o músico e o diretor concordam que a realização do longa deve muito a ela, que escolheu, inclusive, Fernando Grostein para dirigi-lo após assistir De morango, curta metragem com roteiro e direção de Grostein. E o destaque de Paula Lavigne não parou por aí: o diretor espanhol Pedro Almodóvar, grande amigo de Caetano e Paula e renomado por criar personagens inesquecíveis em seus filmes, confessa no documentário que Paula Lavigne é uma grande inspiração para suas criações femininas. E o que Caetano tem a dizer sobre o filme? “Gostei muito, mesmo. Do enquadramento, da escolha do que eu disse no filme. É despretensioso sem ser superficial”, finalizou.

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