Em 1998, o comediante britânico Sacha Baron Cohen desenvolveu o personagem Brüno Gehard para o programa Da Ali G Show, um fashionista gay que se auto-intitula “a voz jovem da TV austríaca”. Depois do sucesso de Borat – O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América (2006), Cohen estrela Brüno seguindo a mesma linha de seu filme anterior, que recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Assim como BoratBrüno é dirigido por Larry Charles e adota a mesma linha de crítica ácida e sem limites aos seus alvos ao redor do mundo, especialmente nos EUA. Aspectos socioculturais e religiosos, celebridades, políticos, nada fica imune às críticas do comediante, que dividiu a comunidade homossexual em relação aos maneirismos de seu personagem em relação a comportamento e atitudes que poderiam (ou não) estereotipar membros da comunidade gay.

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Magro, com maquiagem, depilado, cabelos pintados de loiro e um sotaque austríaco carregado, Brüno torna-se uma ameaça quando decide ficar famoso a qualquer custo após abandonar o mundo da moda, que ele considera fútil e vazio. Está dada a largada para uma série de gags, situações embaraçosas e chocantes, que desfilam em todo o filme.

Com uma linha narrativa tradicional, o filme mistura documentário com dramatização quando, com a ajuda de seu dedicado assistente Lutz (Gustaf Hammarsten), Brüno inicia sua saga na busca pelo sucesso, em uma crítica fervorosa à sociedade que chega ao extremo para alcançar os quinze minutos de fama.

Os artifícios usados vão desde tentar ser apresentador de TV, passando pela opção de seguir carreira na indústria pornográfica até “descobrir” que ser homossexual é o empecilho para que seja famoso e decide “abandonar a homossexualidade”.

Tom Cruise, Arnold Schwarzenegger, Demi Moore, Angelina Jolie, Madonna, Salma Hayek, Mel Gibson; nenhum deles escapa das pesadas piadas de Brüno, que ainda destila piadas constantes e sarcásticas em relação ao nazismo de Hitler.

Com presença de cena e expressões faciais impressionantes, Sacha Baron Cohen mantém o ritmo do filme, que transita entre o humor inteligente e o escatológico, alfinetando fortemente setores religiosos e moralistas da sociedade, como os evangélicos e conflitos entre palestinos e israelenses, além de incomodar as comunidades homofóbica e negra norte-americana.

Certas cenas beiram a comédia pastelão, além de utilizar todos os clichês de dramatização para contar a trajetória de Brüno de forma irônica e melodramática. Suas referências para uma crítica mordaz à cultura (pop) norte-americana são provocativas e ousadas assim como fez com Borat, totalmente oposto ao homossexual austríaco Brüno, mas sem perder a veia polêmica.

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Com diversas piadas sexuais e cenas de nu frontal masculino e feminino, Brünotraz, ainda, diversas referências à homossexualidade, como gírias e trejeitos em um personagem privado de comportamentos considerados morais pela sociedade. E essa alienação norte-americana diante do comportamento gay é posta em xeque, especialmente pela surpreendente cena final, além de contar com um número musical com famosos nomes da música internacional.

Ou seja, Brüno pode não agradar a todos, mas o non-sense e a ousadia são inegáveis como função humorística, apoiados, principalmente, no talento de Sacha Baron Cohen. Deixe preconceitos e moralismos em casa e confira.

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