O Brasil já descobriu sua música, considerada por muitos como uma das melhores do mundo. Agora, chegou a vez de mostrar nossa musicalidade, sempre tão eclética e vasta, nos cinemas.

Uma onda de documentários musicais invadiu o País, com títulos como Palavra (en)cantada, Loki, Simonal – ninguém sabe o duro que dei, Mistério do Samba, Cantoras do Rádio e Um homem de moral.

Walter Nunes, mais conhecido como Walter Alfaiate, sambista e compositor carioca, é tema do filme dirigido em conjunto por Emiliano Leal, Vitor Fraga, Paulo Roscio e Rommel Prata.

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No dia 24, o Cinesesc, em São Paulo, abriu suas portas para uma sessão especial de Walter Alfaiate – A elegância do samba, que conta a trajetória do músico desde o convívio direto com o samba na infância (sua mãe era do bloco carnavalesco Bloco das Cabrochas), passando pela profissão de alfaiate e a dedicação ao samba somente aos 60 anos de idade.

Antes da exibição do filme, Alfaiate apresentou-se em um pocket show, onde cantou alguns sucessos de sua carreira, como Bateram em minha porta, Chapéu do compadre e Sacode Carola e dedicou a noite ao sambista Ataulfo Alves, cujo centenário de nascimento se completa neste ano. Simpático, esbanjando disposição e bom humor aos 79 anos, Alfaiate deu uma prévia do que o público estava prestes a assistir.

O documentário, pontuado por canções de Alfaite em um show inédito, conta com depoimentos de Sérgio Cabral, Regina Casé, Paulinho da Viola, Beth Carvalho, Cristina Buarque de Hollanda, Zeca Pagodinho, Nei Lopes, Marcus Vinícius de Andrade e Aldir Blanc.

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Ele, que sempre quis ser alfaiate, mantém até hoje sua oficina na Galeria Ritz, em Copacabana e divide seu tempo com o samba, outra grande paixão. Permeado por músicas e dividido em capítulos que traçam breves perfis de fases de sua vida, Walter Alfaiate – A elegância do samba mostra, por meio de depoimentos, os fatos que marcaram a dedicação do músico em relação ao samba, sempre com um jeito notável do malandro da zona sul carioca.

A voz marcante e, ao mesmo tempo, suave de Alfaiate também está no documentário, tanto em suas apresentações musicais como nas declarações que ele dá. Sempre com muito bom humor e prendendo a atenção do espectador, o documentário preza pelos depoimentos, mesmo carente de recursos técnicos.

As histórias de antigos carnavais são contadas por amigos e admiradores do sambista, com dados curiosos sobre samba de roda, como o Cantinho da Fofoca, bar aonde se reuniam os compositores do Botafogo.

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Com um capítulo dedicado ao amigo Mauro Duarte o filme fala, ainda, da forte amizade com Alfaiate, que o homenageou no CD Tributo a Mauro Duarte, lançado há quatro anos.

Considerado pelos amigos e conhecidos entrevistados como um ótimo compositor, sambista, alfaiate e amigo, Walter Alfaiate é citado como um “conhecedor do sotaque do samba”. Com uma carreira iniciada apenas aos 60 anos, se equipara a outros ícones tardios do samba, como Clementina de Jesus, Dona Ivone Lara, Cartola e Nelson Sargento. Inclusive, Walter Alfaiate – A elegância do samba é dedicado a todos esses artistas que foram reconhecidos após os 60 anos.

Um filme para ser visto com ouvidos atentos e muito samba no pé, independente da idade.

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