Quando somos adolescentes, todo problema parece o fim do mundo. Ser popular, bonito, extrovertido e inteligente é o sonho de muitos – para não dizer de todos. Pensando nisso, a diretora Nanette Burstein escreveu e dirigiu American Teen, um documentário sobre essa fase, tão complexa (e deliciosa) na vida de todos nós.

Acompanhando, durante um ano, o último ano do colegial de alguns alunos em um colégio em Indiana, nos Estados Unidos, a diretora focou nos cinco estereótipos mais comuns no ensino de “castas” norte-americano: o garanhão, a popular, a rebelde, o nerd e o esportista. A cidade, com maioria branca, cristã e rica, apresenta uma divisão rígida e estabelecida entre os próprios alunos.

Hannah, considerada a rebelde, sente que está no meio de todas as outras castas. Uma das personagens mais interessantes do longa, fã de cinema, música e fotografia, ela odeia aquele mundo em que vive e pretende sair da pequena cidade para ir direto para a faculdade de Cinema. Megan, a riquinha bonita e chefe de torcida, está sempre rodeada de amigos descerebrados e participa de todos os eventos do colégio. Enquanto isso, Colin, o atleta, joga no time de basquete e busca se destacar para adquirir uma bolsa de estudos na universidade. Se não conseguir, terá de ir para o Exército. Divide a pressão com seu melhor amigo Mitch, o garanhão da escola que, forte e bonito, está sempre rodeado de mulheres. Já o sonhador Jake é o nerd da escola. Sozinho e tímido, com o rosto cheio de espinhas e aparelho nos dentes, vive no mundo dos vídeo-games e tem poucos amigos. Seu grande sonho é encontrar o amor de sua vida.

Pronto! Neste caldeirão de personalidades está declarada uma guerra onde as armas são as palavras e atitudes.

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Com diferenças gritantes entre cada um deles, a pressão que sofrem – tanto dos pais como dos outros alunos – é um ponto em comum entre os cinco personagens destacados. Seja em relação à carreira, à universidade, à saída da cidade, enfim. Unindo isso às desilusões amorosas e demais conflitos que surgem, American Teen é um bom exemplo de como as aparências (des)constroem uma pessoa.

O medo do que os outros vão pensar e todo aquele universo sufocante levam os alunos à depressão e isolamento com (algumas) consequências nada simpáticas.

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A ótima edição com um ritmo empolgante faz com que o espectador crie empatia e se empolgue em saber o destino que os personagens tomarão. Afinal, não é nada fácil editar um material bruto de um ano de gravações em menos de duas horas de projeção.

Com boas sacadas, o filme tem uma leveza agradável apesar dos conflitos, com os personagens agindo naturalmente frente às câmeras e expondo todos seus problemas de forma sincera e, muitas vezes, divertida.

Com inserções animadas para explicar a personalidade de alguns dos adolescentes, a diretora mostra as intrigas, as decepções, os dramas e sonhos desses jovens, que não diferem tanto dos outros de sua idade. As maldades (e infantilidades) adolescentes chegam com consequências nada amenizadas, fazendo com que eles se responsabilizem pelos seus atos. Afinal de contas, é um dos primeiros passos para a vida adulta que tanto os anseia e assusta.

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Mas quando um curto romance une dois lados opostos das “castas” e todos os personagens chegam ao ápice de seus dramas, o filme atinge um lado mais maduro, como se anunciasse que está chegando a hora de deixar a adolescência para trás e é necessário fazer suas próprias escolhas, lidando com o medo e a incerteza do que virá.

E a esperança de que vai dar certo supera essa insegurança. A frase que os consola é lançada em certa cena do filme, quando uma menina mais velha diz pra um dos personagens: “Você consegue tudo, afinal você sobreviveu ao colegial”. Uma boa pedida para todas as idades.

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