Baseado no romance homônimo de Bernhard Schlink, O Leitor conta a história de Michael Berg (o jovem ator David Kross na adolescência e Ralph Fiennes na fase adulta) que se envolve com uma mulher cerca de vinte anos mais velha, Hanna Schmitz (Kate Winslet, ótima) no pós Segunda Guerra e descobre, anos mais tarde, que ela fez parte da SS durante o Nazismo.

Dirigido por Stephen Daldry, dos ótimos Billy Elliot e As horas, o diretor conseguiu um feito: em apenas três filmes como diretor, três indicações ao Oscar de direção e aclamação mundial.

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Em 2009, Daldry repete o feito com O Leitor e foge do grande fantasma que assola os diretores de teatro que se aventuram no cinema: a metodologia de transformar a película em teatro filmado.

Ele dirige com sensibilidade e muita firmeza esse drama, com assuntos como redenção, paixão e culpa, criando em seus dois personagens a empatia necessária para cativar e emocionar o público. O casal Winslet-Berg cria uma rotina de leitura e sexo, em que Berg lê para Hanna os mais diversos títulos da literatura mundial, tornando-se o mote de todo o filme, como já indica ao título.

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Kross, no papel de Berg na adolescência, impressiona. Misturando inocência e sexualidade, o jovem ator alemão torna-se perfeito para o papel do jovem que se apaixona por uma misteriosa mulher mais velha. Vencedora do Oscar de Melhor Atriz este ano, Winslet é a alma de O Leitor, em cenas que misturam ódio, beleza e ignorância. A vulnerabilidade dessa mulher que, anos depois, será julgada pelas atrocidades do regime de Hitler, é vista pelos olhos de Berg.

À época do julgamento, Berg é um jovem estudante de Direito, que descobre e acompanha dia a dia o julgamento. Um detalhe é capaz de amenizar a pena de Hanna e apenas Berg pode salvá-la no julgamento. A grande questão é: ele o fará? O fato de ela esconder dele seu passado fará com que ele a ajude? Ele, prestes a ser um defensor da lei, colocará a ética na frente do amor?

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O filme, permeado pela dúvida e pelo ressentimento, ganha no personagem de Winslet a força e intensidade necessárias para criar uma ótima trama de um tema já tão explorado pelo cinema. Poético, tenso e dramático, O Leitor é um belo exemplo de filme que não se perde nos muitos melodramas que lidaram com a Segunda Guerra Mundial.

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