Lembram-se daquelas cenas em que as quatro personagens do filme Sex and the city, com suas roupas deslumbrantes e finos sapatos de salto alto, caminham pela cidade, chamando atenção de todos como se fosse um desfile de moda? Agora imagine se elas chegassem em suas casas, pegassem a conta do cartão de crédito e descobrissem que não podem pagar por tudo aquilo que compram…

Pois assim é a vida da personagem Rebecca Bloomwood (Isla Fisher), no filme Os Delírios de Consumo de Becky Bloom.

Compulsiva por compras, a jornalista endivida-se até não poder mais para estar sempre bem vestida, com a bolsa da moda e os acessórios capazes de fazer inveja a todos os seres do sexo feminino.

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Dividindo o apartamento onde mora com a amiga Suze (Krysten Ritter), arma as mais absurdas artimanhas para fugir dos cobradores de seus doze cartões de crédito, sempre com limites estourados.

Jornalista, ela sonha em trabalhar na Alette, uma renomada revista de moda, porém sente seus sonhos irem por água abaixo quando a vaga é preenchida por outra garota. Com uma jogada de azar – e sorte – ela começa a trabalhar em uma revista de finanças. O objetivo é manter, temporariamente, esse emprego até conquistar de vez a vaga na editoria de moda.

A questão é: como uma endividada consumidora compulsiva pode colaborar com questões que envolvem dinheiro? E é aí que a história de Becky se desenrola.

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Baseado no livro homônimo de Sophie Kinsella, o longa trata do tema com humor leve e despretencioso e – apesar das inserções dramáticas – toca em um ponto interessante, especialmente na atual crise financeira que o mundo tem vivido. O consumismo exagerado, que leva diversas pessoas a se endividarem pelo prazer de ter, comprar, possuir coisas que são, muitas vezes, desnecessárias.

Dirigido por P.J. Hogan (O Casamento do meu Melhor Amigo e Peter Pan) e com produção de Jerry Bruckheimer, Os delírios de consumo de Becky Bloom mostra uma personagem que troca qualquer coisa por uma vitrine. Em suas divagações, até mesmo os manequins a convencem a comprar, ganham vida para que ela se sinta mais bonita, mais feliz, ou seja, mais viva.

O filme é rápido, dinâmico, fazendo com que tudo aconteça num ritmo que, pode  agradar aos espectadores. O público feminino, especialmente, vai se deixar levar pela estética colorida, moda e o carisma da atriz Isla Fisher. Ela, que já havia sido notada com a hilária personagem que inferniza a vida de Vince Vaughn no longa Penetras Bons de Bico tem, aqui, sua primeira chance como protagonista.

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O filme tem certa semelhança com Legalmente Loira ao colocar, novamente, uma personagem fora de seu, digamos, habitat. Becky Bloom mostra que é inteligente e ganha notoriedade na revista financeira ao escrever uma coluna com um apelo bastante popular entre seus leitores unindo temas como moda e dinheiro. O sucesso imediato na revista é apenas um dos clichês do gênero, completada com homens charmosos e a força da amizade feminina. Como comédia romântica, Os delírios de consumo de Becky Bloom não inova, mas sustenta-se no carisma de seus personagens principais e pela presença de seus coadjuvantes. Atores de peso como John Goodman, Joan Cusack, Kristin Scott Thomas, John Lithgow e Lynn Redgrave dividem-se em papéis que, em certas cenas, constrangem pelo aspecto caricaturesco e exagerado.

O final previsível é politicamente correto e pode incomodar pela pieguice, mas não deixa de agradar como passatempo. E até nos leva a pensar: dinheiro é capaz de comprar a felicidade? Talvez sim, mas as prestações dessa venda podem vir com juros muito altos. Que o diga Becky Bloom.

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