Realizado em 1972, a segunda parte da Trilogia da Vida, Os Contos de Canterbury (sucessor de Decameron e predecessor de As Mil e Uma Noites) conta diversas histórias durante uma peregrinação da população pela cidade de Canterbury.

Baseado no livro homônimo de Geoffrey Chaucer, o diretor Pier Pablo Pasolini  criou uma comédia rasgada e politicamente incorreta, que foi considerada escatológica e sexualmente vulgar e explícita à época.

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A visão libidinosa e acidamente crítica da sociedade pode ser aplicada através dos tempos, com temas atemporais como traição, corrupção, homossexualidade, ganância e morte.

Pasolini, homossexual declarado, causou polêmica entre as camadas mais conservadoras ao expor assuntos que todos sabemos que existem, mas fechamos os olhos para eles, seja por medo, vergonha ou pura hipocrisia.

O humor corrosivo e a direção de arte primorosa de Os Contos de Canterbury recriam os tempos da Idade Média em seus castelos e casebres onde tudo pode acontecer. E acontece. Um estudante convence o dono da pensão que se aproxima um dilúvio para poder passar a noite com a mulher dele. Um homem idoso insiste em casar com uma mulher jovem que o trai com um jovem rapaz. Uma mulher consome maridos atrás de maridos. E por aí vai…

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Abusando da nudez e das cenas de sexo (incluindo homossexuais), Pasolini trouxe às telas uma adaptação teatral, cujo objetivo não é oferecer atuações primorosas mas, sim, expor o que o ser humano esconde. O filme conta, ainda, com um escritor que toma nota de todos os contos, divertindo-se com eles (interpretado pelo próprio Pasolini).

A trilha sonora, criada pelo mestre Ennio Morricone, é um espetáculo á parte, bem como os figurinos de época e a bela fotografia, que aproveita bem o espaço rural onde as ações se desenrolam.

Atenção especial para o conto em que um frade é levado por um anjo para conhecer o inferno. Escatológico e chocante? Sim. Mas nem por isso deixa de ser hilário.

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(Não há trailer disponível sobre este filme)

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