maio 2009


Reese Witherspoon já havia mostrado ser uma comediante competente com o simpático Legalmente Loira. Vince Vaughn – ainda assombrado pelo estigma de Norman Bates na refilmagem desnecessária de Psicose -, também. Após despontar com o inesperado (e bom) Penetras Bons de Bico, cravou sua estrela como um ótimo comediante norte-americano, ao lado de nomes como Ben Stiller, Will Ferrel e Steve Carrel.

surpresas-do-amor

O encontro dos dois era uma receita que poderia ter dado muito certo, porém, o resultado foi mediano. Em Surpresas do Amor, o casal se une pela primeira vez para contar a história de Brad e Kate, um casal boa-vida que aproveita para fugir de suas respectivas famílias durante o Natal.

As desculpas esfarrapadas dadas aos pais caem por terra quando são entrevistados durante o cancelamento de um voo que os levaria para um lugar com muita sombra e água fresca.

surpresas_do_amor_2008_g

Obrigados a enfrentar as famílias – cada um com seu jeito peculiar, para não dizer insano – eles vão colocar o relacionamento à prova durante as quatro visitas (papai e mamãe de cada um deles).
Com um elenco secundário de peso, como Robert Duvall, Sissy Spacek e Jon Voight, o filme arranca poucas risadas com o humor, muitas vezes, grosseiro.

surpresas-do-amor31

Os veteranos nada têm a fazer, exceto desfilar bizarrices de suas vidas familiares, enquanto constrangem o casal Brad-Kate. Whiterspoon, vencedora do Oscar por Johnny e June, que consegue salvar a película com sua meiguice natural, alia-se a Vaughn, com seu jeito de ator pastelão sexy e criam uma química que funciona, apesar dos pesares.

O final, que ainda abre espaço para dramas no relacionamento do casal, é previsível e dá margens para uma, mais que certa, sequência. Esperemos que a estréia se dê, pelo menos, durante o Natal. Quem sabe, assim, a continuação empolgue mais que o original…

Anúncios

Quando O show de Truman estreou em 1998, o mundo havia descoberto um Jim Carrey comediante com grande potencial para papéis dramáticos. A história de um homem que tinha sua vida televisionada desde seu nascimento sem saber, fez com que o mundo parasse para pensar e observasse o que era viver uma mentira durante anos a fio.

2-bolt-disney-1199347095

Para o lado menos dramático, a Disney apostou na idéia e colocou um pastor-alemão carismático dentro de uma trama similar. O cachorro Bolt acredita ser um grande super-herói, com poderes que são capazes de salvar sua dona das garras de vilões. Seu super latido e seus grandes saltos aliam-se à sua força descomunal que o fazem ir para casa abanando o rabo com mais alegria que qualquer outro cão.

Porém, tudo não passa de um grande programa de TV em que, claro, somente ele não faz idéia disso. Quando tudo muda e Bolt vai parar sozinho na cidade de Nova York, ele vai descobrir que seu grande poder será mesmo o da sobrevivência.

bolt1

Com um protagonista carismático – e coadjuvantes mais interessantes ainda – Bolt segue em uma busca incessante por sua dona, enquanto vai descobrindo, aos poucos, a verdade.

A Disney, sempre apostando (e acertando) em animais como grandes astros de suas animações digitais, criou uma história emocionante, com extensas cenas de ação, porém sem esquecer a tradicional emoção de seus filmes.

bolt03

Em um empolgante road-movie, acompanhado pela sensata e esperta gata Mittens e pelo hilário (e aficionado por televisão) hamster Rhino, Bolt vai descobrir que a vida real traz problemas reais, bem diferentes daqueles em que ele era capaz de sair são e salvo a cada final de episódio na sua luta contra o crime.

Com direção de Chris Williams e Byron Howard e vozes originais de atores de peso como John Travolta e Malcolm McDowell, Bolt concorreu ao Oscar na categoria de Melhor Longa de Animação.

A idéia é simples: dois adultos com relacionamentos amorosos frustrados, pendências a serem resolvidas e carentes, sozinhos em um lugar isolado. A paixão que um despertará no outro é certa.

Foi pensando nisso que o diretor George C. Wolfe decidiu adaptar o livro de Nicholas Sparks, autor do surpreendente belo Diário de uma paixão, dirigido por Nick Cassavetes.

19332_9

Reunindo pela terceira vez a dupla Richard Gere e Diane Lane, a história não funciona tanto quanto o drama Infidelidade (segunda união dos dois), de Adrien Lyne, porém a química ainda funciona.

Gere interpreta Paul, um médico que aluga uma casa de veraneio à beira mar às vésperas de um furacão que está prestes a chegar no local. Está ali para acertar contas com um morador local e resolver problemas do passado com o filho. A casa à beira-mar é alugada por Lane, no papel de Adrienne, que divide a casa da amiga Jean (indicada ao Oscar 2009 como atriz coadjuvante por sua interpretação em Dúvida) com o charmoso médico.

rodanthe

Sozinhos e com diversas mágoas passadas e presentes, o romance (pouco) intimista do autor tenta ser reforçado pela fotografia do brasileiro Affonso Beato, que aproveita bem as imagens litorâneas.

Sempre criando homens apaixonados e apaixonantes, as histórias de Sparks agradam, na maioria das vezes, às mulheres. Hollywoodiano aos moldes antigos, incluindo uma trilha que entoa alto nos momentos mais melosos, o filme tenta criar uma magia de lugares que foram palcos de fortes histórias de amor. O feito, bem criado em películas como O segredo de Brokeback Mountain e Titanic, não conquista.

Nights in Rodanthe

O final trágico, como de costume nos romances de Sparks, fará as espectadoras femininas se emocionarem. A trilha sonora, com deliciosas pérolas clássicas no entanto, deve agradar a todos.

O diretor Paul McGuigan (de Amor à flor da pele) e o roteirista David Bourla são os responsáveis por Heróis, filme que conta a história de seres humanos que ganharam poderes após experimentos psíquicos iniciados na 2ª Guerra Mundial.
Telecinéticos, videntes e manipuladores de mentes são alguns dos personagens desse longa, que chega aos cinemas brasileiros no dia 29 de maio.

push-movie

A palavra “responsáveis” talvez não seja a mais sensata de se usar, mas sim “culpados”. A história bebe das mais diversas fontes – de X-Men a filmes de ação orientais dos anos 80 – e gera uma miscelânea de clichês que, com certeza, provocarão risos involuntários na plateia.

Nick Gant (Chris Evans, de O Quarteto Fantástico) é um telecinético, ou seja, pode mover objetos com a mente. Vivendo em Hong Kong, ele foge da Divisão, uma organização responsável pela aplicação de uma droga que transformaria seres humanos comuns em armas letais e que foi criada durante o regime nazista.

chris_evans_push_movie_image__1_

Surge em seu caminho a adolescente Cassie Holmes (a menina prodígio do cinema atual, Dakota Fanning), que diz precisar de sua ajuda para eliminar a Divisão graças ao seu poder como vidente.

Eles buscam Kari (a bela Camille Belle), uma manipuladora de mentes que os ajudará a enfrentar o vilão Henry Carver (Djimon Hounsou, desperdiçando talento) e seu aliado, o russo Victor Budarin (Neil Jackson). Além disso, o próprio governo de Hong Kong conta com seus seres fantásticos, os chamados berradores (sim, eles matam usando seus gritos), que pretendem destruir o trio bonzinho de heróis.

38493_normal

Com rostos conhecidos nos papéis principais, Heróis é uma sucessão de clichês que cansam e não empolgam em nenhum momento. Chris Evans parece cansado o tempo todo, talvez lembrando os áureos tempos de O Quarteto Fantástico. A afinidade dele com Dakota Fanning funciona, e é ela quem destila os poucos momentos engraçados do disperso roteiro.

A história se perde em (d)efeitos especiais que não convencem e cenas de ação que não empolgam. O ritmo cansativo e o roteiro fraco contribuem para que os mais batidos clichês surjam sem inovação alguma no filme, como a sede de vingança pelos familiares mortos e câmera lenta para enaltecer certos momentos.

Um filme tedioso, confuso e definitivamente dispensável.

John Patrick Shanley é um sujeito de sorte. Seu primeiro filme, Joe contra o vulcão conquistou o público com uma história simples da dupla Tom Hanks e Meg Ryan, que faria sucesso anos depois com a comédia romântica Sintonia de amor. Sua segunda inserção no cinema, vinte anos depois da estréia atrás das câmeras, foi extremamente autoral e confiante: adaptar e dirigir Dúvida, peça de sua própria autoria.

doubt-movie-m02

Dúvida traz um elenco de pesos pesados e conta a história da irmã Aloysius (Meryl Streep, magnífica), rígida diretora de um colégio religioso nos anos 60 Ela desconfia que o liberal padre Flynn (Phillip Seymour Hoffman, ótimo) abusou sexualmente do primeiro negro a fazer parte do grupo de alunos.

Com poucos cenários, toda a trama se desenrola nas dependências do colégio e da Igreja, em uma época em que a sociedade norte-americana sofria com o recente assassinato do presidente Kennedy.

doubt_movie_image_amy_adams_as_sister_james

Os espaços conservadores com ótimo uso da luz mostram essa fé sufocada em um ambiente puritano ao extremo. Shanley criou a atmosfera intimista propícia para o conflito entre o autoritarismo de Aloyisius e o liberalismo de Flynn. Entre os dois, a inocente irmã James (Amy Adams), que oscila entre a confiança no padre acusado e a mão firme da diretora; que se divide entre a amizade com os alunos e o medo como imposição de respeito perante os seus alunos.  Mesmo sem provas, irmã Aloysius agarra com unhas e dentes suas desconfianças, vistas como verdades absolutas.

O trio de atores oferece atuações geniais, sempre desafiando o espectador: quem é culpado e quem é inocente? A tênue linha entre bons e maus torna-se cada vez mais complexa com o aparecimento da mãe do menino negro (Viola Davis). A cena é apenas uma, mas a atriz passa todo o drama e choque necessário para a situação, tanto que foi indicada ao Globo de Ouro e está na disputa entre as outras coadjuvantes do Oscar. E é neles que Shanley tem seu maior trunfo: os atores.

130109025013_doubt-movie-review

Os movimentos e planos de câmera se entregam a certos vícios teatrais, mas o diretor é capaz de conduzir magistralmente os personagens que ele mesmo criou. Todos os quatro (Streep, Hoffman, Adams e Davis) foram, merecidamente, indicados ao Oscar 2009, assim como seu roteiro adaptado.
Quando assistimos ao filme, nos questionamos: o que é melhor, criador ou criaturas? Não precisamos escolher, pois a dúvida permanece.

O diretor francês Christophe Honoré faz sua quarta parceria com o ator Louis Garrel (Os Sonhadores) neste romance inspirado em um dos primeiros romances psicológicos da literatura francesa: Princesa de Cleves, de Madame de Lafayette, escrito no século 17.

Parceiros nos filmes Ma Mère, Em Paris e Canções de Amor, Garrel e Honoré nos entregam, mais uma vez, um bom representante do cinema francês. O filme conta a história de Junie (Léa Seydoux, bela e distante, perfeita para a personagem), uma garota de 16 anos que muda de escola após a morte da mãe. Bela e misteriosa, ela atrai a atenção de Otto (Grégoire Leprince-Ringuet, também de Canções de Amor), mas os problemas surgem quando ela percebe que está apaixonada pelo professor de italiano Nemours (Louis Garrel).

20090422132340404

Bem ao estilo do cinema francês, com diálogos inteligentes dos jovens personagens e uma atmosfera melancólica, a câmera parece desfilar por eles sem interferir em suas paixões e conflitos. Ela apenas observa, atenta, como o espectador sentado na poltrona do cinema.

a_bela_junie_2008_g

Com personagens secundários carismáticos e uma trilha sonora pra lá de agradável, Honoré trabalha a angústia de Junie que, mesmo perdidamente apaixonada pelo professor, sofre em silêncio para não magoar Otto.
Garrel entrega, bem no seu estilo, um personagem contido e charmoso, que sofre em silêncio ao ver-se apaixonado pela jovem aluna, sem interferir no romance dos dela com Otto.

Um filme sem vilões nem mocinhos. Talvez os grandes vilões sejam, realmente, a paixão, as circunstâncias, os conflitos do amor – especialmente o amor vivido quando se é jovem. Otto não tem muito a fazer, exceto declarar incessantemente seu amor a Junie, mesmo não sendo correspondido do jeito que gostaria.

junie-2

O filme ainda abre espaço para outros romances, enquanto Junie foge das aulas do professor e mantém distância para não alimentar aquilo que a consome. É possível fugir do amor? Estar longe da pessoa amada ameniza, faz com que um sentimento morra? Entregar-se a outra paixão faz com que o sentimento desapareça?

Com conseqüências inesperadas em seu epílogo e um elenco que causa empatia pela gama de personalidades apresentados, sempre com o delicado estilo do diretor, os personagens nos surpreendem, muitas vezes, ao agirem de forma inesperada.

Não é o melhor filme de Honoré, porém nos encantamos pelo amor que transborda na tela. Seja ele concretizado ou não.

Lembram-se daquelas cenas em que as quatro personagens do filme Sex and the city, com suas roupas deslumbrantes e finos sapatos de salto alto, caminham pela cidade, chamando atenção de todos como se fosse um desfile de moda? Agora imagine se elas chegassem em suas casas, pegassem a conta do cartão de crédito e descobrissem que não podem pagar por tudo aquilo que compram…

Pois assim é a vida da personagem Rebecca Bloomwood (Isla Fisher), no filme Os Delírios de Consumo de Becky Bloom.

Compulsiva por compras, a jornalista endivida-se até não poder mais para estar sempre bem vestida, com a bolsa da moda e os acessórios capazes de fazer inveja a todos os seres do sexo feminino.

black1

Dividindo o apartamento onde mora com a amiga Suze (Krysten Ritter), arma as mais absurdas artimanhas para fugir dos cobradores de seus doze cartões de crédito, sempre com limites estourados.

Jornalista, ela sonha em trabalhar na Alette, uma renomada revista de moda, porém sente seus sonhos irem por água abaixo quando a vaga é preenchida por outra garota. Com uma jogada de azar – e sorte – ela começa a trabalhar em uma revista de finanças. O objetivo é manter, temporariamente, esse emprego até conquistar de vez a vaga na editoria de moda.

A questão é: como uma endividada consumidora compulsiva pode colaborar com questões que envolvem dinheiro? E é aí que a história de Becky se desenrola.

delirios-de-consumo-de-becky-bloom01

Baseado no livro homônimo de Sophie Kinsella, o longa trata do tema com humor leve e despretencioso e – apesar das inserções dramáticas – toca em um ponto interessante, especialmente na atual crise financeira que o mundo tem vivido. O consumismo exagerado, que leva diversas pessoas a se endividarem pelo prazer de ter, comprar, possuir coisas que são, muitas vezes, desnecessárias.

Dirigido por P.J. Hogan (O Casamento do meu Melhor Amigo e Peter Pan) e com produção de Jerry Bruckheimer, Os delírios de consumo de Becky Bloom mostra uma personagem que troca qualquer coisa por uma vitrine. Em suas divagações, até mesmo os manequins a convencem a comprar, ganham vida para que ela se sinta mais bonita, mais feliz, ou seja, mais viva.

O filme é rápido, dinâmico, fazendo com que tudo aconteça num ritmo que, pode  agradar aos espectadores. O público feminino, especialmente, vai se deixar levar pela estética colorida, moda e o carisma da atriz Isla Fisher. Ela, que já havia sido notada com a hilária personagem que inferniza a vida de Vince Vaughn no longa Penetras Bons de Bico tem, aqui, sua primeira chance como protagonista.

shopaholic_0210

O filme tem certa semelhança com Legalmente Loira ao colocar, novamente, uma personagem fora de seu, digamos, habitat. Becky Bloom mostra que é inteligente e ganha notoriedade na revista financeira ao escrever uma coluna com um apelo bastante popular entre seus leitores unindo temas como moda e dinheiro. O sucesso imediato na revista é apenas um dos clichês do gênero, completada com homens charmosos e a força da amizade feminina. Como comédia romântica, Os delírios de consumo de Becky Bloom não inova, mas sustenta-se no carisma de seus personagens principais e pela presença de seus coadjuvantes. Atores de peso como John Goodman, Joan Cusack, Kristin Scott Thomas, John Lithgow e Lynn Redgrave dividem-se em papéis que, em certas cenas, constrangem pelo aspecto caricaturesco e exagerado.

O final previsível é politicamente correto e pode incomodar pela pieguice, mas não deixa de agradar como passatempo. E até nos leva a pensar: dinheiro é capaz de comprar a felicidade? Talvez sim, mas as prestações dessa venda podem vir com juros muito altos. Que o diga Becky Bloom.

Próxima Página »