Um personagem dos quadrinhos que fascina pela sua característica de anti-herói, politicamente incorreto, com um passado obscuro e poderes que agradam à maioria dos leitores. Um diretor escolhido pelo próprio ator que deu vida ao mutante na trilogia X-Men e a presença de personagens que os fãs anseiam desde que a série ganhou as telas de cinema. Tinha tudo para dar certo, correto? Sim, mas não deu.

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O diretor sul-africano Gavin Hood (vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2006 por Tsotsi) foi escolhido pelo próprio ator Hugh Jackman (o Wolverine da trilogia) para contar a surpreendente história do mutante que foi eleito pela revista Wizard  e pela Empire Magazine como um dos melhores personagens de quadrinhos de todos os tempos.

O mutante de garras que saem das mãos e possui poder de regeneração seria um prato cheio, mas a trama saiu de forma rápida, com mudanças desnecessárias e mau uso dos personagens coadjuvantes.

No filme, conhecemos a infância do pequeno James Howlett fugindo com o irmão Victor Creed, dois mutantes meio-homem meio-animal e suas participações na Guerra Civil Americana, 1ª e 2ª Guerras Mundiais, até a Guerra do Vietnã.

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Creed (Liev Schreiber) vai gradualmente saciando sua sede de matar, quando são capturados pelo general William Stryker (Danny Huston), que une James e Victor a um pequeno grupo de outros mutantes para criar seu exército particular.

James foge e vai buscar uma vida pacata no Canadá, onde muda seu nome para Logan e vive em paz com Kayla (a fraquinha Lynn Collins). Lá ele é descoberto por Stryker, que o convence a participar de uma experiência (o Projeto Arma X), para que ele se vingue de Victor após Kayla ser dada como morta.

O projeto consiste em aplicar adamantium na estrutura óssea de Logan (que se torna Wolverine, após o experimento), uma liga de metal altamente resistente que substituirá suas garras de ossos e o tornará indestrutível.

Após isso, o filme se desenrola em um jogo de gato e rato envolvendo Wolverine, Stryker e Creed (codinome Dentes-de-Sabre), permeado por vinganças, traições, reviravoltas e ótimas – embora curtas – cenas de luta. Porém, muitos dos fãs podem ficar decepcionados pelas mudanças drásticas da trama, como o fato de Dentes-de-Sabre e Wolverine serem retratados como irmãos no longa.

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Hood, um diretor de filmes mais introspectivos optou pela mudança para inserir maior carga dramática ao filme, dando um tom de que “ódio e amor caminham juntos”, excluindo o ódio mortal que os personagens sentem na HQ.

Além disso, Gambit (Taylor Kitsch) e Deadpool (Ryan Reynolds) são ótimos personagens pouco aproveitados, principalmente pelo fato de sofrerem do “trauma do primeiro filme”, em que o objetivo é apenas apresentá-los.

Wolverine – o filme traz alguns méritos: a ótima trilha sonora e o roteiro, que faz uso das boas tiradas de Wolverine e de Wade Wilson, o futuro Arma XI (Deadpool), outro personagem arruinado no filme.

Hugh Jackman esforçou-se ao máximo para dar a Wolverine a fúria e força necessárias de um personagem totalmente perdido no mundo, sem passado, com um futuro incerto e fadado a vagar eternamente quando sua memória é apagada pelo arqui-vilão Stryker. Liev Schreiber, como Victor Creed/Dentes de Sabre atingiu o ponto necessário que seu personagem exigia: força, sarcasmo e a fúria de acabar com a vida de Wolverine – mesmo que isso seja amenizado de forma vergonhosa.

O filme ganha alguns outros personagens conhecidos pelos fãs, como o ainda adolescente Scott Summers (o futuro Ciclope), o teletransporter John Wraith, o enorme Blob (Kevin Durand) e o Agente Zero (papel de Daniel Henney), que não ganham o destaque merecido nas menos de duas horas de filme que, obviamente, são dedicadas a Wolverine.

Enfim, Wolverine – o filme pode agradar aos apreciadores do cinemão pipoca, mas fica devendo em termos de fidelidade ao tema, apesar do bom ritmo e das tramas amarradas. Afinal, como diz Wolverine: “Eu sou o melhor no que eu faço, mas o que eu faço não é nada bom”. E torçamos para que o diretor da continuação não leve isso tão ao pé da letra.

 

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