Segundo a Psicologia, a Síndrome do Ninho Vazio é quando pais (especialmente, as mães) sentem-se perdidos quando seus filhos saem de casa. Muito protetores, dedicando-se apenas a cuidar deles, quando essa tarefa não lhe cabe mais, eles sentem-se inúteis e melancólicos.

O jovem diretor Daniel Burman levou nas costas dois atores veteranos, coadjuvantes de peso e influências de François Truffaut. Pegou do diretor francês a dedicação a filmes que tratam de família, arrancou interpretações ótimas dos atores e criou uma grande obra do cinema argentino.

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O filme conta a história de Leonardo (Oscar Martinez, ótimo) e Martha (Cecília Roth, luminosa), um casal de meia idade que tem de seguir em frente quando os filhos decidem sair de casa para estudar. Um tema delicado, que poderia descambar no melodrama barato, mas que Burman dirige com competência, segurança e dedicação. Até os olhares inteligíveis que o casal troca em um jantar sem, necessariamente, conversarem é algo sutil e fortemente identificável por marido e mulher de longa data.

Com a vida sem os filhos, cada um parte em uma jornada que permeia o filme: ele anseia por mudanças e apaixona-se por uma dentista jovem, enquanto ela ocupa-se incessantemente de suas aulas de piano ao mesmo tempo em que é seduzida por um antigo colega.
Em discussões, ambos questionam se foram os culpados pela saída dos filhos (como se houvesse algum tipo concreto de culpa).

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Leonardo, um renomado dramaturgo, vê-se no momento de redescobrir-se diante de uma crise literária. Ele quer escrever, Martha quer expor os problemas. Qual o melhor modo de desaguar o que está preso na mente, na alma? Ambos vão encontrar suas divergentes maneiras.

Na verdade, Ninho Vazio todo parece girar em torno de Leonardo, em que percebemos suas mudanças (internas e externas). Porém, quando se trata de criar seus textos, sente-se preso. Sente que não está vivendo e não consegue criar histórias a partir daquilo que não viveu.

Todo o clima intimista do longa é permeado pela belíssima fotografia de Hugo Colace, que faz belo uso das luzes da casa, além de criar a belíssima cena utilizada no cartaz do filme, em que ele e Martha flutuam na água. É o mote para seu próximo livro. Quando conta para a filha, ela pergunta se estão flutuando porque estão mortos. Leonardo, então, responde: Mortos? Não. Estão casados. O que não é a mesma coisa. Enfim, genial.

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