abril 2009


Na Segunda Guerra Mundial, a Alemanha nazista passava por uma crise financeira que podia pôr fim ao conflito com uma derrota que parecia estar iminente. O inspetor falsário Bernhard Krüger liderou, então, a Operação Bernhard, que buscava falsificar libras esterlinas e dólares norte-americanos para alavancar a economia alemã e, assim, enfraquecer a economia dos países inimigos. A operação funcionou por certo tempo e é considerada, até hoje, a maior falsificação de dinheiro de toda a História, de mais de 130 milhões de libras.

O diretor Stefan Ruzowitzky – que também assina o roteiro – baseou-se no livro Devil´s Workshop, de Adolf Burger e levou às telas os detalhes que fizeram dessa operação uma das mais inteligentes artimanhas do conflito e produziu o triplo da quantia da reserva econômica britânica na época.

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Contado em forma de flashbacks, somos levados do pós-guerra em 1947 para a pré-guerra em 1936, quando o falsário e boêmio Salomon “Sally” Sorowitsch (Kark Markovics) perambulava em bares de Berlim com belas mulheres e levava uma vida boa como falsificador de dinheiro e documentos.

Preso pela polícia alemã, Sorowitsch é levado para o campo de concentração de Mauthasen por ser judeu, observando o universo de atrocidades cometidas pelos militares. Transferido para o campo de Sachsenhausen, os alemães colocam Sally como Supervisor de Falsificações da Gaiola Dourada, um espaço reservado a prisioneiros considerados de primeira-classe que falsificariam as moedas de maior circulação no período.

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O plano dá tão certo que nem mesmo o Banco Central da Inglaterra reconhecia as libras esterlinas como falsas, dando o direito de os nazistas usarem a moeda para transações em diversos países.

Lá, Sorowitsch conhece o ativista (e futuro escritor do livro que deu origem ao filme) Adolf Burger (August Diehl) e o jovem Kolya Karloff (Sebastian Urzendowsky), ao mesmo tempo em que negocia com o oficial Friedrich Herzog (Devid Striesow) a operação secreta de falsificação. Herzog, que já conhecia seu talento como falsificador, utiliza-se da operação como forma de suborno, ou seja, “colabore e permaneça vivo”.

Burger e Sorowitsch, de personalidades diferentes, entram em um grande conflito ideológico. O primeiro defende que se deve sabotar o governo alemão para pôr fim à guerra devido à falência financeira, enquanto o segundo acredita que isso pode levá-los à execução e colaborar seria a melhor forma de sobrevivência.

Com diversos detalhes dos campos de concentração, o filme prima pela direção de arte, com campos de concentração sendo mostrados em seus detalhes mais minimalistas, desde o chão até o teto.

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A belíssima fotografia dá o tom amarelado certo nas cenas de pré-guerra com seus jogos de sombras e ganha cores opacas no campo de concentração com atrocidades já, infelizmente, conhecidas do regime nazista.

A trilha sonora, composta somente de tangos, é um espetáculo à parte neste filme sério e belo, com roteiro muito bem amarrado e ótimas atuações. Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2008, Os Falsários merece ser descoberto. Um interessante filme que traz um importante fato que, surpreendente, tinha grandes chances de mudar os rumos da última Grande Guerra de nossa História.

Um personagem dos quadrinhos que fascina pela sua característica de anti-herói, politicamente incorreto, com um passado obscuro e poderes que agradam à maioria dos leitores. Um diretor escolhido pelo próprio ator que deu vida ao mutante na trilogia X-Men e a presença de personagens que os fãs anseiam desde que a série ganhou as telas de cinema. Tinha tudo para dar certo, correto? Sim, mas não deu.

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O diretor sul-africano Gavin Hood (vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2006 por Tsotsi) foi escolhido pelo próprio ator Hugh Jackman (o Wolverine da trilogia) para contar a surpreendente história do mutante que foi eleito pela revista Wizard  e pela Empire Magazine como um dos melhores personagens de quadrinhos de todos os tempos.

O mutante de garras que saem das mãos e possui poder de regeneração seria um prato cheio, mas a trama saiu de forma rápida, com mudanças desnecessárias e mau uso dos personagens coadjuvantes.

No filme, conhecemos a infância do pequeno James Howlett fugindo com o irmão Victor Creed, dois mutantes meio-homem meio-animal e suas participações na Guerra Civil Americana, 1ª e 2ª Guerras Mundiais, até a Guerra do Vietnã.

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Creed (Liev Schreiber) vai gradualmente saciando sua sede de matar, quando são capturados pelo general William Stryker (Danny Huston), que une James e Victor a um pequeno grupo de outros mutantes para criar seu exército particular.

James foge e vai buscar uma vida pacata no Canadá, onde muda seu nome para Logan e vive em paz com Kayla (a fraquinha Lynn Collins). Lá ele é descoberto por Stryker, que o convence a participar de uma experiência (o Projeto Arma X), para que ele se vingue de Victor após Kayla ser dada como morta.

O projeto consiste em aplicar adamantium na estrutura óssea de Logan (que se torna Wolverine, após o experimento), uma liga de metal altamente resistente que substituirá suas garras de ossos e o tornará indestrutível.

Após isso, o filme se desenrola em um jogo de gato e rato envolvendo Wolverine, Stryker e Creed (codinome Dentes-de-Sabre), permeado por vinganças, traições, reviravoltas e ótimas – embora curtas – cenas de luta. Porém, muitos dos fãs podem ficar decepcionados pelas mudanças drásticas da trama, como o fato de Dentes-de-Sabre e Wolverine serem retratados como irmãos no longa.

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Hood, um diretor de filmes mais introspectivos optou pela mudança para inserir maior carga dramática ao filme, dando um tom de que “ódio e amor caminham juntos”, excluindo o ódio mortal que os personagens sentem na HQ.

Além disso, Gambit (Taylor Kitsch) e Deadpool (Ryan Reynolds) são ótimos personagens pouco aproveitados, principalmente pelo fato de sofrerem do “trauma do primeiro filme”, em que o objetivo é apenas apresentá-los.

Wolverine – o filme traz alguns méritos: a ótima trilha sonora e o roteiro, que faz uso das boas tiradas de Wolverine e de Wade Wilson, o futuro Arma XI (Deadpool), outro personagem arruinado no filme.

Hugh Jackman esforçou-se ao máximo para dar a Wolverine a fúria e força necessárias de um personagem totalmente perdido no mundo, sem passado, com um futuro incerto e fadado a vagar eternamente quando sua memória é apagada pelo arqui-vilão Stryker. Liev Schreiber, como Victor Creed/Dentes de Sabre atingiu o ponto necessário que seu personagem exigia: força, sarcasmo e a fúria de acabar com a vida de Wolverine – mesmo que isso seja amenizado de forma vergonhosa.

O filme ganha alguns outros personagens conhecidos pelos fãs, como o ainda adolescente Scott Summers (o futuro Ciclope), o teletransporter John Wraith, o enorme Blob (Kevin Durand) e o Agente Zero (papel de Daniel Henney), que não ganham o destaque merecido nas menos de duas horas de filme que, obviamente, são dedicadas a Wolverine.

Enfim, Wolverine – o filme pode agradar aos apreciadores do cinemão pipoca, mas fica devendo em termos de fidelidade ao tema, apesar do bom ritmo e das tramas amarradas. Afinal, como diz Wolverine: “Eu sou o melhor no que eu faço, mas o que eu faço não é nada bom”. E torçamos para que o diretor da continuação não leve isso tão ao pé da letra.

 

A variedade de fobias existentes chega a ser algo incalculável. Elas podem surgir desde medos físicos de animais, como ratos e cobras, ou de sensações fisiológicas, como medo de altura e de lugares fechados. Existem até aquelas que envolvem medos que outras pessoas custam a acreditar, como de botões e trabalho.

O diretor Kiko Goifman uniu-se ao especialista francês em Cinema Jean Claude Bernardet para fazer um filme, no mínimo, polêmico. Filmefobia transita entre a ficção e o documentário para mostrar esse medo patológico nos mais diversos personagens. Não se trata de um estudo documental, como tratamentos médicos ou superação nem, muito menos, de uma ficção que nos leva a conhecer a fundo a influência desses transtornos. Filmefobia coloca tais pessoas frente a frente com seus maiores pavores de uma forma, digamos, impressionante.

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Misturando fóbicos reais, atores e atores que possuem fobias, o longa nos faz transitar durante 80 minutos no pânico – real e imaginário – desses personagens. A questão é levada tão a fundo que não conseguimos distinguir quando o medo é real ou não.

Ao trabalhar com a ideia de making of de um documentário fictício, Gofman e sua equipe técnica utilizam os mais diversos aparatos e engenhocas para aprisionar os personagens e fazer com que eles tenham um contato (quase) direto com suas fobias. De forma intencionalmente experimental, os técnicos aparecem frente às câmeras preparando as “vítimas”, enquanto a fotógrafa Cris Bierrenbach registra todas as experiências e Lívio Tragtenberg cria a trilha do filme ao vivo, ora criando sons perturbadores ora improvisando com os mais diversos materiais para aumentar a tensão do filme.

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Pontuando as cenas – que envolvem gritos, gemidos, suor e muitas lágrimas -, o filme é abre espaço para discussões entre a equipe técnica e dois convidados especiais: o psicanalista Ariel Bogochvol e o cineasta José Mojica Marins, o Zé do Caixão. O especialista comenta o que leva algumas pessoas a terem tais distúrbios, enquanto o mestre do terror pontua comentários ao ver a reação das pessoas. O que é medo real? O que é atuação? Para o espectador, fica difícil distinguir.

Muitas cenas parecem beirar o sadismo, o que gerou polêmicas no Festival de Brasília, quando foi exibido. Apesar disso, não foi o suficiente para desagradar ao público e crítica. Levou cinco candangos (Melhor Filme do Júri Oficial, Melhor Filme da Crítica, Melhor Montagem, Melhor Ator e Melhor Direção de Arte), além de prêmios internacionais como o Cinemart Film Market, no Roterdam Film Festival, na Holanda.

Mas a discussão gerada vai além da tela de cinema. Levar o medo à sala escura, segundo Zé do Caixão, é como duplicar essa sensação de terror. E nos perguntamos: por que aqueles personagens aceitaram enfrentar seus medos diante das câmeras? Talvez seja um prazer inconsciente diante de seus medos, exibicionismo, superação ou, até mesmo, buscar uma ajuda para dividir esse caos psicológico. Cada espectador que tire suas conclusões.

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Em certo momento, o próprio diretor Kiko Gofman sai de trás das câmeras e torna-se personagem ao enfrentar o medo de sangue. De modo, no mínimo, chocante participa de um surpreendente jogo de pôquer que o leva a necessitar da equipe médica, sempre presente no set de filmagem.

Perturbador e chocante em muitos momentos, Filmefobia incomoda por nos confrontar com nossos medos, mesmo que não sejam consideradas fobias.  Impossível assistir ao filme e sair do cinema indiferente, pois lembramos de nossos medos e lembramos que é ele que nos mantém vivos. E na sala escura, seja ficção ou realidade, confrontamos nosso lado vulnerável de forma crua. Afinal, como diz o diretor: “A única imagem autêntica hoje em dia é a de um ser humano em contato com a sua própria fobia”.

Bom, voltemos um pouco no tempo antes de falar de Entre os muros da escola, mais recente filme do diretor Laurent Cantet (Em Direção ao Sul). Desde o governo de Jacques Chirac (1995 – 2007), a situação dos imigrantes na França era tensa, com repressão e forte deportação para seus países de origem. Com a posse do seu sucessor, Nicolas Sarkozy, há dois anos, a situação tornou-se mais grave, com invasão de casas de estrangeiros para extraditá-los, além das altas taxas de desemprego entre os imigrantes, que são duas vezes maiores que a média francesa.

O atual presidente, de direita, defende a implantação da educação para adaptar os imigrantes aos costumes do país. É clara a hostilidade ao assunto no país, que teve crescimento de quase trinta por cento nos incidentes violentos ligados à xenofobia.

Assim, baseado no livro do escritor – e ator no longa – François Bégaudeau, o filme de Cantet já pode ser considerado a ficção mais realista sobre a atualidade sócio-cultural francesa. Entre os muros da escola se passa em um colégio no subúrbio da França, onde o professor François (o próprio François Bégaudeau) tem de lidar com as intempéries dos alunos, um caldeirão de etnias e personalidades prestes a entrar em ebulição.

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Com diálogos rápidos e constantes, o professor luta com as armas que têm (a autoridade e o diálogo) para controlar os jovens estudantes. E, todo professor tem noção disso, não é nada fácil lidar com alunos. Porém, a história vai além da edificante mensagem “ao mestre com carinho” de outras produções do gênero e toca em um assunto muito mais delicado: a diferença étnica que se faz presente durante as aulas, com presença de alunos orientais, árabes e africanos, por exemplo.

Tratando dos problemas educacionais e políticos da França dos anos 2000, Catent vai abordar a imposição de uma identidade francesa nessa sociedade que possui outra língua, outros costumes, outras opiniões. Enfim, outra realidade. Entre as afrontas aos professores e discussões em sala, Entre os muros da escola mostra que todos eles possuem sonhos e medos similares, tornando-se extremamente confiantes uns com os outros em classe, porém totalmente vulneráveis quando confrontados pelos adultos.

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A história, que chega a se tornar claustrofóbica por se desenrolar apenas dentro da escola, pode cansar os mais desavisados, porém as mais de duas horas trazem personagens que não são divididos entre vilões e bandidos, apenas personagens confinados em uma falha de comunicação cheia de conflitos pessoais e sociais.

François dialoga com os alunos o tempo todo, incitando-os a pensar, a discutir todo tipo de assunto, não se resumindo, apenas, a gerar um monólogo entre professor e aluno. A câmera sim, essa transita por entre as diferenças: quando foca o professor, em boa parte do tempo temos a impressão de ocupar o lugar dos alunos; quando são os alunos conversando, a câmera está ali, bem no meio, como se fizesse parte da discussão. E é aí que o espectador cria essa empatia tanto pelos alunos como pelo professor de francês e nessa relação ambígua e conflitante que todos ali desenvolvem. Talvez seja outro reflexo do relacionamento dos imigrantes com os nativos franceses e os conflitos que se criou desde os primórdios da humanidade e se evidenciou na França nos últimos anos.

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Afinal, o que é diferente estranha e causa medo e repulsa à primeira vista. Entre os muros da escola, indicado para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e ganhador da Palma de Ouro no Festival de Cannes, tornou-se o primeiro filme francês a receber o prêmio desde Sob o Sol de Satã, de Maurice Pialat, em 1987. Isso mostra como o tema é de forte relevância não só para os próprios franceses. O final, uma espécie de trégua, mostra que o diálogo e a aceitação podem ser as melhores atitudes para lidar qualquer tipo de conflito.

 

Em todo o planeta, animais de estimação são venerados por seus donos, tratados como filhos, mesmo. Nada mais natural que o livro de John Grogan, Marley e Eu se tornasse, rapidamente, um best seller. Em diversos países, pessoas leram e se emocionaram com a vida de Grogan ao lado de seu intempestivo labrador Marley.

A estréia do filme homônimo, estrelado pelos dois ascendentes à categoria de queridinhos da América (Owen Wilson e Jennifer Aniston), era muito esperada pelos fãs e se tornou um grande sucesso no verão norte-americano.

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Quando John decide comprar um cachorro para fugir da iminente decisão de ter um filho, entra em cena o endiabrado Marley. O pequeno cãozinho revela-se um verdadeiro destruidor, detonando tudo que encontra pela frente.

Com o tempo, surgem os filhos e o casal se depara com quatro responsabilidades, cuja maior deles é o incansável labrador. O tempo passa e, diante de diversos conflitos familiares e profissionais, Jennifer e John passam pelos grandes apuros do passar dos anos ao terem uma grande família.

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Marley passa a ser o grande problema da casa, porém, como diz o ditado, família unida, permanece unida e os dois não conseguem imaginar a vida sem o cãozinho, primeiro personagem a surgir na vida a dois.

Com uma dupla que cria empatia desde o primeiro instante e – como resistir aos encantos de um cachorro? – o filme funciona.

A trilha sonora pop e cativante e a direção de David Frankel (do ótimo O Diabo veste Prada), que alterna entre o drama e as cenas de humor das travessuras de Marley. Não há quem não se identifique.

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O final, triste e esperado, surge e deixa a platéia emocionada. Afinal, durante as duas horas de projeção, ela acompanhou toda a vida toda do casal com a (mais que evidente) presença do simpático labrador. Mesmo com uma meia hora final dramática, a tristeza não é gratuita e Frankel dirige com delicadeza até as cenas que poderiam resvalar no sentimentalismo barato.

Descubra. E ao sair do cinema, olhe seu cachorro de uma forma diferente. Ou, caso não tenha um, você provavelmente ficará tentado a levar um para casa.

A Dreamworks Animation é um caso raro na produção de filmes de animação. Suas animações convencionais, como Caminho para El Dorado, Sinbad – a lenda dos sete mares e Spirit – o corcel indomável não foram bem recebidos pelo público. Com FormiguinhaZ, a história se assimilava a Vida de Inseto, da concorrente Pixar, que conseguiu grande êxito em relação à primeira animação digital da Dreamworks. Os títulos seguintes, como Shrek, Madagascar e Kung Fu Panda (indicado ao Oscar de Melhor Animação deste ano, inclusive), levaram a produtora a mostrar que pode incomodar, sim, o grande império Disney/Pixar.

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Como aconteceu com o fenômeno Shrek (que já prepara suas quarta e quinta partes), a sequência de Madagascar revisitou a fórmula mágica e deu ênfase aos seus personagens secundários. Como o filme do famoso ogro verde havia feito, ao injetar mais ação de seus melhores personagens (Burro, Gato de Botas, princesas e outros seres dos contos de fadas), Madagascar 2 aproveitou ao máximo os alucinados lêmures e os pinguins psicopatas do primeiro filme. Deu certo. E muito.

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O filme ganha um humor irônico, de duplo sentido e de forte característica non-sense ao acompanhar um acidente que levaria o quarteto do filme original de uma praia deserta (onde se passa o primeiro filme) direto para o zoológico de Nova York, habitat “natural” dos simpáticos personagens. O plano, obviamente, não dá certo e eles vão parar na África. Lá, o leão Alex, a zebra Marty, a girafa Melman e o hipopótamo Gloria vão descobrir suas emocionantes origens.

Sem o tom açucarado da Disney, as histórias emocionam porém, sempre, com muito humor (algumas das piadas não são muito compreendidos pelas crianças, como de praxe), mas é impossível não se deixar levar pela história ágil.

O timing certo, uma trilha divertida e a certeza que continuações podem, sim!, ser muito melhores que seu original.

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Woody Allen é Woody Allen. Dizem que é como pizza, sexo e Almodóvar: mesmo quando é ruim, é bom. Concordo em gênero, número e qualidade cinematográfica.

Saindo um pouco dos seus temas de humor sarcástico que o consagrou nos anos 70, 80 e 90, o diretor lançou, recentemente, filmes mais sérios como Match Point e O sonho de Cassandra. Mesmo suas tentativas de unir comédia e drama, como Melinda e Melinda e Scoop deixaram seus fãs ansiosos por uma comédia. Não que fossem filmes ruins, muito pelo contrário. Foram filmes ótimos, porém não nos davam a impressão de que aquele adorável franzino de óculos estivesse por detrás das câmeras.

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Chega, então, o lançamento de Vicky Cristina Barcelona. Pronto, Woody Allen – mesmo deixando sua Nova York para trás -, estava de volta com uma comédia ao seu molde: diálogos afiados, situações hilárias e uma direção segura.

A história desenrola uma teia de relacionamentos amorosos que envolvem o sedutor espanhol Juan Antonio (Javier Bardem) e duas turistas de férias em Barcelona, Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson). Já considerado um dos filmes mais sensuais do diretor, o elenco ganha ainda mais força quando entra em cena Maria Elena (Penélope Cruz, fantástica), no papel da ex-mulher de Juan Antonio.

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Construindo cada personagem minuciosamente, Allen nos entrega, mais uma vez, diálogos gostosos de acompanhar, em que nos deixamos levar por aquele redemoinho de paixões, brigas e muito humor que não sabemos como irá terminar.

Bardem, com seu costumeiro charme aflorado, é muito bem acompanhado por uma deliciosamente histérica Penélope Cruz, laureada com o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Johansson une sua sensual inocência já demonstrada em Encontros e Desencontros à sensatez e beleza de Rebecca Hall, que se divide entre um relacionamento estável e a deliciosa paixão que sente pelo personagem de Juan Antonio.

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Barcelona ganha espaço no título da película por recepcionar tais personagens com suas belas paisagens, que servem de pano de fundo para uma história de amor, paixão e, claro, muita sensualidade.

Merece ser visto com um olhar fixo na tela, os ouvidos atentos aos diálogos e muita água na boca.

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