Continuação dos indicados ao Oscar 2012 de Melhor Filme.
Cavalo de Guerra
Filme, Fotografia, Trilha Sonora, Direção de Arte, Edição de Som e Mixagem de Som
Spielberg ficou de fora do Oscar este ano na categoria Melhor Diretor, mas Cavalo de Guerra entrou na disputa em seis categorias. Difícil levar algum, mas isso são outros quinhentos. Com marcas visíveis de seu estilo, o cineasta conta a saga do cavalo Joey que, criado pelo jovem Albert (Jeremy Irvine), é vendido pelo pai do rapaz e enviado para a Primeira Guerra Mundial para servir de transporte. Porém, depois da morte do militar, Joey segue em uma jornada emocionante, fazendo parte da vida de diversos personagens, como os desertores irmãos alemães Gunther (David Kross) e Michael (Leonard Carow), a doce garota francesa Emilie (Celine Buckens) e seu avô (Niels Arestrup), entre outros. Nesse meio tempo, Albert se lista e, separados pelo conflito, ambos passarão por diversas adversidades.
Com um ritmo que não cai, Spielberg cria um filme bonito e bem feito, com sua marca registrada de temas como amizade, honra, família, coragem, separação e guerra. O grande espetáculo fica, de fato, a cargo do cavalo Joey, que enche os olhos em sua constante aparição. Com trilha de John Williams, parceiro costumeiro de Spielberg, Cavalo de Guerra tem toda a pompa de filme épico, com bela fotografia, trilha imponente e personagens corajosos.

Spielberg e sua alma infantil já lhe renderam ótimos filmes que fazem marmanjos se emocionarem até hoje (quem nunca chorou com a despedida de ET e Elliot atire a primeira pedra), mas essa qualidade ganha tons infantilizados por criar cenas em Cavalo de Guerra que arrancam risos involuntários, como quando um alemão e um americano dão um pause no conflito para salvar Joey.
Ainda assim, fez um filme interessante e, que embora não tenha qualidades de obras-primas anteriores (A Lista de Schindler, ET – O Extraterrestre, Tubarão, A Cor Púrpura, Jurassic Park), ainda vale a pena conferir, especialmente para a emocionante cena de Joey, desesperado, fugindo dos bombardeios no campo de batalha. E, de qualquer forma, Spielberg é Spielberg.
Nota: 8
Tão Longe e Tão Perto
Filme e Ator Coadjuvante (Max von Sydow)
A escalação de um ator pode salvar ou destruir um filme. Isso fica ainda mais evidente quando assistimos a Tão Longe e Tão Perto, baseado no belo romance Jonathan Safran Foer, que escreveu também Uma Vida Iluminada, transposto magistralmente para o cinema em 2005.
Stephen Daldry (Billy Elliot, As Horas, O Leitor), fora dos indicados ao Oscar de Melhor Diretor pela primeira vez, teve a péssima decisão de escalar o insuportável ator mirim Thomas Horn para interpretar Oskar Shell, um garoto que, após a morte do pai (Tom Hanks) no ataque no dia 11 de setembro nas torres do World Trade Center. Após encontrar uma chave em um envelope escrito Black, ele começa uma busca incessante a todas as pessoas deste sobrenome para saber em que fechadura ela serve.

Junto com um misterioso senhor mudo, conhecido como O Inquilino (Max Von Sydow), ele vai entrar na vida de diversas pessoas, das mais diversas raças, idades e comportamentos enquanto tenta resgatar o que lhe resta de migalhas da lembrança do pai.
É interessante acompanhar o efeito do 11 de setembro tanto na nação norte-americana, principalmente em Oskar, um garoto que sofre com o estresse pós-traumático, deixando-o totalmente perturbado, que se mutila, sofre em silêncio e se tranca no mundo criado pelo finado pai. Com atores conhecidos em papéis menores, como Viola Davis (indicada ao Oscar de Melhor Atriz por Histórias Cruzadas), John Goodman (presente também em O Artista) e Sandra Bullock (que interpreta a mãe do menino), o filme não decola, justamente, pela arrogância de Horn no papel do menino Oskar, que irrita, não cria empatia e só emociona pela presença iluminada de Max von Sydow, mesmo sem pronuncia uma única palavra o filme todo.
Enfim, Tão Longe e Tão Perto é a prova que dá pra desperdiçar uma boa história, especialmente vinda de um diretor que nos deixou boquiabertos e encantados quando escalou o então menino Jamie Bell em Billy Elliot e o adorável Richie (Jack Rovello) no maravilhoso As Horas. Uma manchinha negra em sua bela filmografia, de fato.
Nota: 5
A Invenção de Hugo Cabret
Filme, Diretor, Roteiro Adaptado, Fotografia, Edição, Figurino, Direção de Arte, Trilha Sonora, Edição de Som, Mixagem de Som e Efeitos Visuais.
Agora sim estamos falando de cinema de qualidade! Scorsese consegue se superar cada vez mais, é impressionante. Último dos filmes que assisti dos indicados, A Invenção de Hugo Cabret é uma surpresa deliciosamente boa. O baixinho sobrancelhudo que encanta o cinema há décadas adaptou a renomada obra homônima de Brian Selznick em um filme impecável em todos os sentidos: direção, atuação, roteiro, visual, ritmo e por aí vai.
Acompanhamos a história de Hugo Cabret (o ótimo Asa Butterfield) que, após a morte do pai em um incêndio, só tem para si um autômato (espécie de robô). Morando dentro das engrenagens dos relógios de uma estação de trem francesa, o garoto tenta, a todo custo, fazê-lo funcionar. Porém, só conseguirá isso ao conseguir uma chave em formato de coração em posse da menina Isabelle (Chloë Grace Moretz ) que pertence ao misterioso Georges (Ben Kingsley), que esconde um grande segredo.
Se apoiando, ainda, em personagens coadjuvantes adoráveis, como o malvado inspetor (Sacha Baron Cohen), o livreiro Monsieur Labisse (Christopher Lee), a doce florista Lisette (Emily Mortimer) e a dondoca Madame Emilie (Frances de la Tour), que convivem na agitação da estação, é na magia poética do segredo de Georges que repousa a beleza central de A Invenção de Hugo Cabret, misturando ficção e realidade.
Com uma direção de arte irretocável, Scorsese estreia um filme mágico, capaz de emocionar crianças e adultos, especialmente aos amantes do cinema, fazendo sua grande homenagem à Sétima Arte. Não é à toa que é o único capaz de desbancar o também maravilhoso O Artista, que trata do tema com outro viés.
Um filme feito com dedicação invejável, qualidade primorosa e, acima de tudo, com amor incondicional ao cinema.
Nota: 10





























